A Polícia Militar prendeu em flagrante, na manhã desta quinta-feira (05), no Centro de Patos de Minas, uma mulher de 58 anos por estelionato contra um idoso de 83 anos que sofre de demência e é judicialmente interditado. A ação ocorreu na Praça Desembargador Frederico, quando ela tentava obter mais dinheiro.
De acordo com informações da Polícia Militar, a suspeita é acusada de lesar a vítima, há vários meses, tendo obtido dele mais de R$ 407 mil em dinheiro vivo. O flagrante aconteceu após a curadora e filha do idoso, suspeitar que a acusada faria novo contato com o pai devido ao recebimento de sua aposentadoria.
A filha então seguiu o pai e flagrou a acusada em sua companhia, momento em que o senhor afirmou que iria sacar R$ 4.700 para repassar à suspeita. Ele acreditava que o dinheiro seria usado para ela "dar entrada em um benefício do INSS" que, supostamente, quitaria toda a dívida anterior.
Conforme o relato da curadora e da vítima ao policiamento, a suspeita alegou repetidamente necessitar do dinheiro para custear tratamentos médicos em Brasília, Uberlândia e outras cidades. Em uma ocasião, o idoso chegou a conversar ao telefone com uma mulher que se apresentou como médica dela, detalhando exames e medicamentos.
O montante lesado, segundo a família, é proveniente da venda de um terreno em Brasília, de uma ação judicial e de economias salariais, e era mantido em espécie na residência do idoso, que não confia em bancos.
Questionada pela PM, a suspeita forneceu várias versões conflitantes. Inicialmente, disse estar apenas acompanhando o idoso. Depois, admitiu um empréstimo de R$ 5.000, já quitado. Negou ter recebido os R$ 407 mil e afirmou que os tratamentos de saúde que faz são custeados pelo SUS.
Entretanto, em sua posse foram encontradas fortes evidências contrárias, como: 42 comprovantes de depósito em dinheiro na Caixa Econômica Federal, em nome de seu filho de 27 anos. Os depósitos, feitos entre maio e dezembro de 2025, somam dezenas de milhares de reais, com valores de R$ 5.000, R$ 4.000, R$ 1.750, entre outros. Também foram encontrados uma nota promissória não assinada no valor de R$ 407.000; um recibo assinado pela vítima com valor rasurado; cinco cadernetas com anotações contábeis e contatos; extratos bancários da própria suspeita; cartões de crédito e um aparelho celular.
A suspeita, que declarou não trabalhar e receber o Benefício de Prestação Continuada (LOAS) por baixa renda, não soube justificar a origem dos vultosos depósitos para o filho, nem as anotações sobre uma reforma residencial, incompatíveis com sua renda declarada.
Conduzida à Delegacia de Polícia Civil de Patos de Minas, ela mudou novamente sua narrativa. Afirmou então que o senhor lhe deu espontaneamente R$ 120 mil, com os quais quitou dívidas e pagou coisas para o filho. Disse que, após essa "doação", passou a pegar dinheiro como empréstimo, a juros, e que omitiu os fatos a pedido do próprio idoso, que não queria "arrumar problema com seus familiares".
Uma testemunha, vizinho da vítima, confirmou o esquema. Ele alertou a família após ouvir o senhor falando ao telefone com a suspeita sobre novos empréstimos. Relatou ainda que, após esgotar suas reservas, o idoso chegou a pegar R$ 30 mil emprestados com o irmão da testemunha para repassar à acusada.
Diante das contradições, da vulnerabilidade da vítima e das evidências materiais, os policiais prenderam a suspeita em flagrante pelo crime de estelionato. Todos os materiais apreendidos e a suspeita foram entregues à Polícia Civil.
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