A série especial do Patos Hoje pelo Programa Minas Inédita desembarca hoje em Guapé, no Sul de Minas, um dos destinos mais encantadores às margens do Lago de Furnas. Localizado a cerca de 330 quilômetros de Patos de Minas, o município de cerca de 15 mil habitantes reúne cachoeiras, paredões rochosos, ilhas, praias de água doce e uma das histórias mais marcantes da construção da Hidrelétrica de Furnas.
Logo no primeiro dia da viagem, a equipe do Patos Hoje embarcou no Porto da Balsa para um passeio pelo Lago de Furnas com destino ao distrito de Araúna. Durante o percurso, as paisagens impressionam pela grandiosidade. As águas cristalinas, cercadas por formações rochosas e muita vegetação, revelam um cenário perfeito para quem busca contato com a natureza.
O passeio termina na Ponte de Santo Hilário, cartão-postal que liga os municípios de Guapé e Pimenta. Pelo caminho, cada curva do lago revela um novo visual, mostrando por que a região vem conquistando cada vez mais visitantes.
Segundo Pedro, piloto da embarcação que conduziu a equipe, Guapé ainda é um destino pouco explorado pelo turismo em comparação com outras cidades da região. Isso permite que os visitantes encontrem lugares mais tranquilos, atendimento acolhedor e preços mais acessíveis, sem abrir mão das belezas naturais que fazem do Lago de Furnas um dos principais cartões-postais de Minas Gerais.
Mas Guapé não chama atenção apenas pelas paisagens. O município também guarda uma história de perdas, resistência e recomeço.
Quem conta essa trajetória é Eduardo Martins, servidor responsável pela Casa da Cultura de Guapé. Ele explica que a cidade foi a mais impactada pela formação do Lago de Furnas.
Em 19 de janeiro de 1963, durante o enchimento do reservatório da usina hidrelétrica, as águas inundaram toda a parte baixa do município. Aproximadamente quatro mil moradores tiveram que abandonar suas casas, suas histórias e suas raízes para permitir a formação do lago. O processo de desapropriação foi doloroso e marcou profundamente a população.
A antiga Guapé desapareceu sob as águas, mas a cidade renasceu em um terreno mais elevado. O que inicialmente representou tristeza e incerteza acabou se transformando em uma nova oportunidade para o desenvolvimento do município. A igreja matriz foi demolida e no lugar da torre, uma escultura de São Francisco, padroeiro da cidade, se destaca no horizonte.
Com o passar dos anos, o Lago de Furnas, conhecido como o "Mar de Minas", tornou-se o principal patrimônio de Guapé. Hoje, o turismo movimenta a economia local, impulsiona a instalação de marinas, condomínios de alto padrão, empreendimentos voltados para esportes náuticos e atrai visitantes em busca de lazer e tranquilidade.
Eduardo Martins destaca que a população precisou se reinventar para construir uma nova cidade. O sentimento de perda nunca desapareceu completamente, mas deu lugar ao orgulho de ver Guapé transformar uma das maiores tragédias de sua história em um dos seus maiores diferenciais.
No próximo episódio da série pelo Programa Minas Inédita, a equipe do Patos Hoje vai mostrar onde se hospedar na região e apresenta ainda mais belezas do Lago de Furnas, passando pelos municípios de Guapé e dos cânions de Capitólio.
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