Treze anos após denunciarem a violação do jazigo da família, Geraldo Gomes da Silva e Denita Camila da Cunha Silva finalmente obtiveram a confirmação pericial de que a sepultura foi aberta irregularmente pela própria Prefeitura de Patos de Minas, responsável pela administração do Cemitério Municipal. A exumação realizada no fim de junho constatou que uma pessoa estranha à família foi sepultada sobre os restos mortais de seus familiares. Além disso, os peritos encontraram uma prótese humana contendo fragmentos ósseos enterrada no local.
O caso teve início em 2013, quando os proprietários do jazigo perpétuo receberam a notícia de que um homem havia sido sepultado indevidamente na sepultura da família. Na ocasião, servidores do cemitério reconheceram que houve um erro na identificação da sepultura, o que resultou na abertura do jazigo e no sepultamento irregular de uma terceira pessoa. O episódio provocou revolta e ganhou repercussão na imprensa local.
Ainda naquele ano, a família ingressou com uma ação judicial contra o município. Segundo o advogado dos proprietários do jazigo, Dr. Farley Júnio Rocha, a longa demora na produção da prova ocorreu porque não havia profissionais especializados dispostos a realizar uma perícia dessa complexidade, que exigia exumação e análise técnica dos restos mortais.
Somente no final do mês passado foi possível realizar a perícia. O resultado confirmou aquilo que a família sustentava desde o início: o jazigo havia sido violado sem qualquer autorização dos proprietários.
Três conjuntos de restos mortais
De acordo com o laudo pericial, no jazigo deveriam estar sepultados apenas dois familiares: o irmão de Geraldo e a irmã de Denita. Entretanto, os peritos encontraram três conjuntos distintos de restos mortais, sendo um deles pertencente a um homem desconhecido, fato que também contraria os registros oficiais do próprio Cemitério Municipal, nos quais constavam apenas os dois familiares.
Em um trabalho considerado minucioso, o médico-legista realizou a separação dos ossos, fragmentos de vestimentas, partes dos caixões e demais materiais encontrados no interior da sepultura. A análise permitiu identificar a existência do terceiro sepultamento, realizado há aproximadamente 13 anos, comprovando a violação do jazigo.
Prótese humana amplia gravidade do caso
A perícia revelou ainda um fato considerado ainda mais grave. Dentro de um recipiente plástico enterrado no jazigo foi localizada uma prótese de quadril contendo resquícios ósseos humanos.
Segundo o laudo, esse material não pertence a nenhum dos três conjuntos de restos mortais encontrados na sepultura. A conclusão reforça a existência de uma segunda violação do jazigo, indicando que outros materiais humanos foram descartados no local sem qualquer relação com a família proprietária.
Após a conclusão da perícia, os restos mortais dos familiares foram novamente inumados no jazigo, enquanto os materiais estranhos foram retirados.
Família pede reparação por todos os danos sofridos
O laudo pericial já foi anexado ao processo judicial movido contra o município. A família busca indenização pelos danos morais e materiais decorrentes do episódio.
Segundo Geraldo Gomes da Silva e Denita Camila da Cunha Silva, durante mais de uma década os familiares conviveram com a incerteza sobre o paradeiro dos restos mortais de seus entes queridos, situação que lhes causou profundo sofrimento emocional.
Eles afirmam que, durante a tramitação do processo, uma familiar faleceu e não pôde ser sepultada no jazigo da família devido à insegurança quanto à situação da sepultura, obrigando-os a adquirir outro local para o sepultamento, o que também gerou prejuízo financeiro.
Com a conclusão da perícia, a família espera que a Justiça reconheça a responsabilidade do Município pelos danos causados e determine a devida reparação pelos mais de 13 anos de angústia, sofrimento e desrespeito à memória de seus familiares.
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