A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito que investiga o empresário de 46 anos, por prática reiterada de estelionato no ramo de compra e venda de veículos em Patos de Minas. O relatório da Polícia Civil aponta que o investigado agia com um modus operandi padronizado, utilizando sua credibilidade no setor para atrair vítimas e obter a posse de bens sem a devida contraprestação financeira. Os valores giram em mais de R$ 2 milhões.

De acordo com as investigações, o esquema envolveu pelo menos 12 vítimas e causou um prejuízo estimado em mais de R$ 2 milhões. Entre os veículos negociados de forma fraudulenta estão uma Land Rover avaliada em R$ 1 milhão, uma BMW Z4, uma Fiat Toro, uma Ford Maverick, um Toyota Corolla, um caminhão Mercedes-Benz e uma motocicleta Honda/CB1300 Super Four, avaliada em R$ 70 mil.

Segundo as investigações, o empresário era proprietário de uma das garagens mais movimentadas da região e gozava de renome na sociedade patense. No entanto, passou a utilizar essa credibilidade para aplicar golpes. O modus operandi, conforme descrito no inquérito, consistia em atrair vítimas com promessas de pagamento; retirar os veículos sob justificativas como "mostrar a um potencial comprador" ou mediante cheques pré-datados; transferir os bens para terceiros sem autorização dos proprietários originais; cessar a comunicação após obter a posse dos veículos; e utilizar intermediários de boa-fé para revender os automóveis, criando uma cadeia de negociações que dificultava a localização dos bens.

O inquérito reúne depoimentos de diversas vítimas que relatam prejuízos financeiros significativos. A defesa do empresário apresentou esclarecimentos em substituição ao interrogatório, uma vez que o investigado não compareceu para prestar depoimento, encontrando-se em local incerto e não sabido.

A defesa alegou que o empresário atuava no ramo de compra e venda de veículos por meio de negociações informais, baseadas em confiança, e que os conflitos surgiram em razão de dificuldades financeiras supervenientes. Sustentou ainda a ausência de dolo, afirmando que as questões teriam natureza civil e comercial, não havendo intenção de fraude.

A Polícia Civil, no entanto, entendeu que as condutas ultrapassam o mero inadimplemento contratual. A autoridade policial destacou no relatório que "o uso de artifícios para obter a posse dos bens, a alienação célere para terceiros e a realização de transferências documentais sem autorização das vítimas configuram o animus de obter vantagem ilícita induzindo outrem em erro".

O inquérito aponta ainda a multiplicidade de vítimas e o "caos social e institucional" perpetrado pelo investigado, além do vultoso montante dos prejuízos, que revelam a periculosidade da conduta e o risco à ordem econômica local.

Diante da materialidade e dos indícios de autoria, ele foi formalmente indiciado pelos crimes previstos no artigo 171 (estelionato), incisos I e VI, combinado com o artigo 71 (continuidade delitiva) do Código Penal por 13 vezes. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para as providências cabíveis. Diversos veículos foram recuperados e retornaram às vítimas. O inquérito foi concluído nessa quinta-feira (19).