Após anos de angústia e sofrimento, uma mulher procurou a Polícia Civil de Patos de Minas para denunciar abusos sexuais que, segundo seu relato, teriam marcado profundamente sua infância. Em conversa com a reportagem do Patos Hoje, a vítima relatou o peso de anos carregando lembranças e consequências de situações que afirma ter vivido quando ainda era criança. Agora, o que durante muito tempo permaneceu restrito à sua própria história passa a ser objeto de registro e investigação policial.

Após tomar coragem, mulher procurou uma base da Polícia Militar e rompeu o silêncio que a atormentou por décadas. De acordo com o relato apresentado às autoridades, os episódios teriam ocorrido quando a vítima ainda era criança dos 7 aos 13 anos, dentro do ambiente familiar. A denúncia aponta que o suposto autor seria seu próprio "tio" marido da irmã de sua mãe. “Para a sociedade transmite ser um homem de fé, frequenta a igreja, participa ativamente de eventos e conferências religiosas e está presente em atividades promovidas pela igreja, inclusive colaborando em eventos religiosos”, relatou ela.

No boletim de ocorrência, a vítima afirma que decidiu procurar a polícia somente agora, já na vida adulta, para relatar oficialmente o que diz ter vivido durante a infância pelos transtornos psicológicos que esses ocorridos causam até hoje. O documento também menciona a preocupação da denunciante de que outras crianças e mulheres possam ter sido vítimas de situações semelhantes por ele, pois o autor dos fatos trabalha como Uber e até busca criança em escola.

A denúncia chama atenção para uma realidade frequentemente marcada pelo medo, pelo silêncio e pela dificuldade de crianças e adolescentes conseguirem compreender, revelar ou denunciar situações de violência, especialmente quando elas ocorrem dentro do próprio círculo familiar.

Ao procurar as autoridades, a vítima busca não apenas a apuração dos fatos relatados, mas também que a denúncia seja investigada e que a verdade seja esclarecida e a justiça seja feita.

Segundo ela, o caso foi registrado pela Polícia Civil e já foi encaminhado para os procedimentos de investigação. Por envolver fatos graves e ocorridos durante a infância da denunciante, o caso deverá ser mantido em segredo. Em conversa com o Patos Hoje a vítima diz que só quer que justiça seja feita e que outras crianças não voltem a passar pelo trauma que ela viveu.