Uma mulher de 35 anos acabou na delegacia na noite dessa segunda-feira (14), em Patos de Minas, após uma adolescente de 14 anos fugir de casa e procurar ajuda no Conselho Tutelar. A garota relatou ter sido ameaçada pela mãe e também revelou ter sido vítima de abuso sexual quando tinha entre seis e oito anos.

A ocorrência foi registrada na Rua Doutor Marcolino, onde funciona o Conselho Tutelar. De acordo com informações da Polícia Militar, a adolescente contou que estava em casa quando a mãe passou a questioná-la sobre um suposto estupro ocorrido há vários anos. Com medo de que a mãe não acreditasse no relato, inicialmente ela se recusou a falar sobre o assunto.

Ainda segundo as informações policiais, a mãe teria tomado o celular da filha e colocado o aparelho sobre a geladeira. A adolescente afirmou que, posteriormente, foi ameaçada pela mãe, que teria dito que ela falaria “nem que fosse debaixo de uma surra”. Temendo ser agredida, ela aproveitou um momento de distração, recuperou o celular e saiu de casa em direção ao Conselho Tutelar.

No caminho, ela teria pedido a companhia de um pai de santo que conhece, que a acompanhou até o local. Depois que chegou ao Conselho Tutelar, a adolescente decidiu contar aos conselheiros o que teria acontecido.

Conforme o relato registrado pela Polícia Militar, a adolescente afirmou que, quando tinha entre seis e oito anos, esteve com os pais na residência de um primo de sua mãe, durante uma confraternização. Ela contou que, em determinado momento, ficou sozinha na sala assistindo televisão e que o homem teria pedido para ver um machucado que ela tinha na perna, próximo à virilha. Segundo o relato, após ela afastar o short para mostrar o ferimento, o homem teria começado a tocar sua perna e se aproximado de sua região íntima.

A adolescente afirmou ainda que, depois que outra pessoa deixou o cômodo, o homem teria voltado a se aproximar dela e, segundo seu relato, teria praticado ato de natureza sexual contra ela. A jovem disse aos conselheiros que o episódio não teria se repetido e que atualmente não mantém contato com o homem apontado como autor.

Durante o atendimento, a adolescente também apresentou aos policiais um áudio enviado pela mãe pelo WhatsApp, no qual, segundo as informações policiais, ela dizia que iria “quebrar suas duas pernas” caso a filha não retornasse para casa.

A adolescente relatou ainda ter um relacionamento conturbado com os pais e afirmou que já havia sido agredida anteriormente pela mãe. Segundo a PM, ela mostrou um corte já cicatrizado no antebraço direito e disse que a lesão teria sido provocada por uma agressão com um cabo de vassoura, ocorrida em agosto deste ano.

Apesar dos relatos, a adolescente informou aos policiais que era bem tratada em casa, tinha alimentação, estudava e possuía roupas e objetos pessoais. Ela não apresentava lesões recentes aparentes.

A Polícia Militar fez contato com a mãe da adolescente, que confirmou que a filha havia fugido de casa e que estava à sua procura. Questionada sobre as ameaças, a mulher admitiu ter feito as declarações, alegando que estava nervosa e que queria fazer com que a filha retornasse para casa. Ela, entretanto, negou que agredisse a adolescente ou que tivesse intenção de fazê-lo.

Diante da confirmação das ameaças, a mulher recebeu voz de prisão em flagrante pelo crime de ameaça e foi encaminhada para a Delegacia de Plantão, onde prestou esclarecimentos. Sobre a denúncia de abuso sexual, a mãe afirmou conhecer o homem citado pela filha e confirmou que já havia frequentado a residência dele com a família. Ela disse, porém, não se recordar dos detalhes da ocasião mencionada pela adolescente e afirmou nunca ter percebido comportamento estranho da filha relacionado ao homem.

Após o atendimento, a adolescente informou que não queria retornar para a casa da mãe ou do pai por temer novas agressões. O Conselho Tutelar entrou em contato com um tio da jovem, que se comprometeu a ficar responsável por ela. A adolescente foi levada para a residência dele até que a situação fosse devidamente apurada.

O boletim registra como natureza principal estupro de vulnerável, além de ameaça e atendimento de denúncia relacionada à violência contra a mulher. O homem apontado pela adolescente como autor do suposto abuso foi identificado no registro policial, mas não consta prisão dele na ocorrência. A investigação sobre a denúncia de abuso sexual deverá prosseguir pelas autoridades competentes.