Dois homens foram condenados a penas que, somadas, chegam a quase 59 anos de prisão pelo assassinato de Bruno Silva Teixeira, aquele jovem que ficou desaparecido por cerca de um mês até ter o corpo encontrado. O julgamento de Marcos Severo da Silva Junior e Christopher Victor Bomtempo Lemos Matos aconteceu nesta quarta-feira (09), no Fórum Olympio Borges, em Patos de Minas. Marcos recebeu pena de 33 anos e 8 dias de prisão, enquanto Christopher foi condenado a 25 anos e 10 meses.
O julgamento começou por volta das 9h e seguiu até o período da noite. Após os embates entre acusação e defesa, os jurados reconheceram o homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Os dois também foram condenados pelos crimes de ocultação de cadáver e organização criminosa.
A diferença entre as penas ocorreu porque Marcos já possuía outras condenações. Ambos já estavam presos e permanecerão no sistema prisional.
Um casal, apontado durante as investigações como chefe da organização criminosa, recorreu da decisão de pronúncia e aguarda definição sobre se será levado a julgamento.
Relembre o caso
O caso começou a ser investigado após familiares procurarem a Polícia Militar e informarem o desaparecimento de Bruno, ocorrido no dia 25 de janeiro de 2025. O carro dele foi localizado abandonado no Bairro Bela Vista, em Patos de Minas. Segundo a denúncia, o veículo estava destrancado e havia desordem em seu interior. Os policiais encontraram ainda objetos utilizados pela vítima e gotas de sangue no banco do passageiro.
A Polícia Civil passou então a analisar imagens de câmeras de segurança instaladas em residências e estabelecimentos comerciais, além do sistema de videomonitoramento. A investigação conseguiu reconstruir cerca de uma hora e 15 minutos do trajeto realizado pelo veículo antes e depois do desaparecimento de Bruno.
Segundo a denúncia, as imagens mostraram o carro passando por diferentes bairros de Patos de Minas. Em determinado momento, o veículo chegou ao Bairro Quebec, onde deixou de ser visualizado pelas câmeras por aproximadamente 45 minutos. Posteriormente, reapareceu e seguiu até o local onde foi abandonado. As gravações mostraram dois indivíduos deixando o automóvel.
Os investigadores continuaram acompanhando o percurso por outras câmeras e conseguiram imagens mais nítidas dos envolvidos. As investigações avançaram e apontaram Marcos Severo, Christopher e um casal como envolvidos no crime.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Bruno Silva Teixeira foi morto ainda na noite do desaparecimento. A acusação sustentou que o crime foi motivado por vingança, pelo fato de a vítima ter sido condenada pelo homicídio do primo de um dos envolvidos. A denúncia descreve ainda que Bruno foi submetido a uma série de agressões, sendo torturado, espancado e tendo dentes arrancados.
O corpo de Bruno só foi encontrado um mês após o desaparecimento. Ele foi localizado às margens do Rio Paranaíba, no município de Coromandel. As vestimentas encontradas no cadáver foram reconhecidas por familiares como sendo as mesmas usadas por Bruno no dia em que desapareceu.
O laudo de necropsia apontou que a vítima foi encontrada com as pernas amarradas e que a causa da morte foi politraumatismo. O exame constatou diversas lesões, incluindo fraturas no crânio e no nariz, além da perda de dentes. Segundo a denúncia do Ministério Público, os ferimentos demonstraram que Bruno foi brutalmente espancado e passou por intenso sofrimento antes de morrer.
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