O Tribunal do Júri realizado nesta terça-feira (03), no Fórum Olympio Borges, em Patos de Minas, terminou com a condenação de Marcelo Gonçalves da Silva a 12 anos e 3 meses de reclusão e 12 dias multa, por dupla tentativa de homicídio contra Ayrton Senna da Silva e pelo crime de incêndio. Ele foi absolvido da tentativa de homicídio contra Fernanda Ribeiro de Sousa, companheira de Ayrton. Já Geane da Silva Borges foi absolvida de todas as acusações. Os crimes aconteceram no dia 12 de abril de 2025, no bairro São José Operário.

Segundo a denúncia do Ministério Público, no dia do crime, por volta das 10h, a Polícia Militar foi acionada com a informação de disparos de arma de fogo e a presença de um indivíduo armado em via pública. Durante o deslocamento, uma equipe se deparou com Marcelo e as vítimas, Ayrton e Fernanda, caídos no chão e em luta corporal. Os policiais realizaram a abordagem e conseguiram cessar as agressões. No local, foram apreendidos uma arma de fogo tipo garrucha, com uma munição deflagrada, um facão, uma faca e um canivete.

As investigações apontaram que, por volta das 3h da madrugada, Marcelo e Geane teriam ido até o barraco onde Ayrton e Fernanda moravam, em uma área de mata no final da rua São Paulo. No local, Marcelo teria ameaçado a vítima dizendo: “Ayrton, saia para fora que vou te matar”, e, sem dar chance de defesa, efetuou dois disparos de arma de fogo em direção ao barraco.

Ainda segundo o depoimento, Fernanda saiu para pedir que ele cessasse as agressões, momento em que Marcelo teria afirmado que mataria apenas Ayrton. Em seguida, efetuou mais três disparos e ateou fogo na entrada do barraco, fugindo do local. As chamas foram contidas inicialmente por Fernanda.

Horas depois, ao retornarem de uma padaria na Avenida Brasil, por volta das 7h, o casal encontrou o barraco completamente em chamas. O incêndio destruiu roupas, móveis e objetos pessoais.

Sem ter onde ficar, Ayrton e Fernanda permaneceram em um cruzamento próximo à Rua Guilherme Vilela com a Rua Curitiba. Por volta das 10h, Marcelo e Geane teriam saído novamente da mata. De acordo com a denúncia, Marcelo estava com um facão e Geane com uma faca.

Os envolvidos entraram em luta corporal. Ayrton conseguiu desarmar Marcelo e o atingiu com uma pedra no rosto, fazendo com que ele caísse ao solo junto à uma arma de fogo e ao facão. No entanto, Marcelo se levantou, retomou o facão e partiu novamente em direção à vítima. Durante a fuga, Ayrton caiu e foi atingido com um golpe de facão na mão direita ao tentar proteger a cabeça, sofrendo um corte profundo em um dos dedos.

Ainda segundo a acusação, Geane teria tentado golpear Ayrton com a faca enquanto ele estava caído, mas ele conseguiu segurar o braço dela e impedir o golpe. As agressões só cessaram com a chegada da Polícia Militar. Geane fugiu a pé do local naquele momento.

O desentendimento teria começado após Marcelo pressionar Fernanda a manter um relacionamento amoroso com ele em troca de entorpecentes, enquanto Ayrton estava preso. Ela teria recusado a proposta. Após deixar o presídio, Ayrton foi informado do ocorrido e procurou Marcelo para questioná-lo, o que teria gerado a revolta.

Marcelo e Geane foram denunciados por duas tentativas de homicídio, cada, qualificadas por motivo fútil, recurso que dificultou a defesa das vítimas e perigo comum, além do crime de incêndio.

Ao final do julgamento, Marcelo foi condenado pela tentativa de homicídio qualificado contra Ayrton e pelo incêndio, porém foi absolvido da denúncia dos crimes contra Fernanda. Ele foi sentenciado a 12 anos e 3 meses de reclusão, além de 12 dias multa. O regime inicial é o fechado. Geane foi absolvida de todas as acusações.

O advogado de defesa do Marcelo, Tiago Alves, informou que vai recorrer da decisão.