O Governador Romeu Zema parece estar decidido em passar as rodovias mineiras para empresas privadas. Mais um lote de rodovias deve ser levado a leilão, elevando o número de pedágios na região. Dessa vez, a BR 365 e outras rodovias podem ser privatizadas ou terceirizadas como alguns preferem dizer. Patos de Minas e mais 18 cidades serão afetadas. Seriam 3 praças de pedágio até a BR 040.

De acordo com informações da Agência Minas, o lote 10, Lote Rodoviário Noroeste, tem 767 quilômetros de extensão, contemplando trechos das rodovias BR-365, CMG-496, MG-408 e MG-181, atravessando corredores que conectam o Norte de Minas, o Triângulo Mineiro e a região Central. O contrato prevê cerca de R$ 7,5 bilhões em investimentos, isso ao longo de 30 anos. O edital ainda prevê a possibilidade de renovação do contrato por mais 30 anos.

Ao todo, 19 municípios serão diretamente afetados: Patrocínio, Guimarânia, Patos de Minas, Lagoa Formosa, Varjão de Minas, Presidente Olegário, João Pinheiro, São Gonçalo do Abaeté, Buritizeiro, Pirapora, Várzea da Palma, Jequitaí, Claro dos Poções, São João da Lagoa, Montes Claros, Lassance, Corinto, Bonfinópolis de Minas e Brasilândia de Minas. Seriam 3 praças de pedágios.

O governo defende que a privatização do Lote Noroeste porque ele “é um estratégico corredor e sua concessão vai gerar mais desenvolvimento para a região Norte de Minas, integrando diferentes partes do estado, o que é fundamental para a promoção do escoamento de produtos, insumos, além de trazer segurança e conforto”, definiu o secretário de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias de Minas Gerais, Pedro Bruno Barros.

Com relação à BR 365, no trecho entre Patrocínio, passando por Patos de Minas até chegar em Montes Claros, no Norte de Minas, o Governo Federal terá que formalizar a transferência, ou seja, precisa ainda do aval do Governo Federal. O leilão do Lote Noroeste está previsto para março de 2026 e o edital já foi publicado.

No entanto, as críticas são contundentes. No outro trecho da BR 365, entre Patrocínio até Uberlândia, também privatizado pelo Governo de Minas em 2022, até o momento não contemplou as obras de duplicação. Além da falta de sarjetas, as novas terceiras faixas foram construídas utilizando o próprio acostamento que já existia e o MPF precisou intervir porque elas não comportavam as larguras dos veículos, causando riscos de acidentes. Diversas falhas foram verificadas.  E o preço do pedágio também não é nada barato. Como prevê o contrato, em todos os anos de vigência, os valores foram reajustados conforme a inflação e hoje está custando R$14,00 para automóvel, podendo chegar até R$140,00 dependo do veículo, sendo um dos mais altos do Brasil.

Ainda há outras situações para lá de estranhas na privatização. O projeto de duplicação do trecho da BR 365 entre Patos de Minas e Patrocínio foi concluído pelo DNIT- Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre- e poderia ter sido incluído no PAC do Governo Federal. No entanto, a Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam) decidiu exigir o licenciamento ambiental completo - EIA-RIMA - de toda a extensão da obra, o que acabou atrasando o andamento do processo.

O Prefeito de São Gonçalo do Abaeté, Fabiano Lucas, publicou um vídeo indignado, criticando a privatização e pedindo para que isso não ocorra. Ele cita as promessas de melhorias que não foram concretizadas no outro trecho da BR 365, entre Patrocínio e Uberlândia, bem como as melhorias solicitadas na audiência pública. Ele criticou as 3 praças de pedágio que seriam construídas no trecho da BR 365 até a BR 040.

O Patos Hoje entrou em contato com a Assessoria de Imprensa do Governo de Minas e fez diversos questionamentos. Em resposta, a Ascom do Governo de Minas informou que as informações estão disponíveis no seguinte link: http://www.ppp.mg.gov.br/ projetos/projetos-em- estruturacao/lote-10-noroeste