O Conselho Estadual de Política Ambiental (COPAM) concedeu, nesta semana, a licença prévia para o projeto de implantação e duplicação da BR-365 entre Patos de Minas e Patrocínio. O empreendimento corresponde ao Lote 3 e contempla aproximadamente 70,6 quilômetros da rodovia, passando pelos municípios de Patos de Minas, Guimarânia e Patrocínio. Esse foi mais um passo para um sonho dos moradores de Patos de Minas, Guimarânia e Patrocínio.
A decisão foi tomada durante a 107ª Reunião Ordinária da Câmara de Atividades de Infraestrutura de Energia, Transporte, Saneamento e Urbanização do COPAM. O processo é de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
A licença prévia tem validade de cinco anos e foi concedida com condicionantes. Na prática, ela reconhece a viabilidade ambiental do empreendimento e permite que o DNIT avance nas etapas necessárias para a futura implantação da obra. A autorização, entretanto, não significa que as máquinas já possam começar a trabalhar no trecho. Ainda será necessário cumprir as condicionantes ambientais, concluir os estudos exigidos e obter as demais licenças necessárias, especialmente a licença de instalação.
A duplicação da BR-365 entre Patos de Minas e Patrocínio é uma reivindicação histórica de moradores, usuários da rodovia, empresários, produtores rurais e lideranças políticas do Alto Paranaíba.
A conclusão do projeto representa uma perspectiva de mudança significativa para uma das principais ligações rodoviárias da região. A duplicação tende a ampliar a capacidade de tráfego, melhorar a fluidez, reduzir conflitos entre veículos que trafegam em sentidos opostos e proporcionar melhores condições de segurança para motoristas, passageiros e transportadores.
Além do impacto direto sobre a segurança viária, uma rodovia duplicada pode favorecer o transporte de cargas, o deslocamento de pessoas, o escoamento da produção agropecuária e industrial e a integração entre Patos de Minas, Guimarânia, Patrocínio e outras cidades do Alto Paranaíba e do Triângulo Mineiro.
Para uma região cuja economia depende fortemente do transporte rodoviário, a melhoria da BR-365 também representa redução de gargalos logísticos e melhores condições para circulação de mercadorias e serviços.
A discussão sobre a duplicação ganhou ainda mais intensidade em 2026, quando o Governo de Minas tentou incluir o trecho da BR-365 entre Patrocínio, Patos de Minas e o Norte de Minas em um projeto de concessão à iniciativa privada, com previsão de cobrança de pedágios. O que foi amplamente reprovado.
A proposta provocou forte reação de moradores, empresários, motoristas profissionais, lideranças políticas e entidades da região. Manifestações foram realizadas em diferentes pontos da BR-365, com uma reivindicação central: que as obras e melhorias fossem realizadas antes de qualquer cobrança dos usuários.
A tentativa de concessão também gerou uma discussão jurídica sobre a própria competência do Estado para licitar o trecho da BR-365, uma rodovia federal. Em fevereiro de 2026, o DNIT, órgão federal, informou que não havia autorizado o Governo de Minas a publicar o edital de concessão e que sequer teria sido comunicado previamente sobre a publicação. O órgão federal afirmou ainda que havia projetos para melhorias na BR-365, incluindo justamente a duplicação entre Patos de Minas e Patrocínio.
Diante desse cenário, o Governo de Minas revogou o edital do Lote Noroeste, que incluía o trecho da BR-365 entre Patrocínio, Patos de Minas e o entroncamento com a BR-040. A revogação ocorreu após manifestação do Governo Federal contrária à delegação dos trechos federais ao Estado.
A discussão, contudo, não foi encerrada definitivamente. Em agosto de 2026, o governador Mateus Simões afirmou que o Estado ainda pretendia buscar uma transferência do trecho para viabilizar uma futura concessão.
A discussão sobre a BR-365 não começou com a atual proposta de concessão. A necessidade de duplicação já foi objeto de ações judiciais envolvendo a União e o DNIT.
Em decisão relacionada à concessão do trecho entre Uberlândia e Patrocínio, a Justiça Federal analisou a existência de determinação anterior para a duplicação da BR-365 entre Uberlândia e Patos de Minas. A decisão também questionou a concessão de apenas determinados segmentos da rodovia sem que estivesse prevista a duplicação integral do trecho abrangido pela obrigação judicial.
Mais recentemente, em dezembro de 2025, o Ministério Público Federal informou que obteve decisão obrigando a concessionária Rodovias do Triângulo, a União, o DNIT e o Estado de Minas Gerais a anteciparem obras de duplicação em trecho da BR-365 entre Uberlândia e Patrocínio, incluindo a região da ponte sobre o Rio Araguari. A medida foi fundamentada na necessidade de ampliar a segurança diante do histórico de acidentes no trecho.
As decisões judiciais reforçam que a discussão sobre a BR-365 ultrapassa a questão de uma simples concessão administrativa: envolve obrigações públicas relacionadas à segurança, à infraestrutura e à necessidade de adequação da rodovia às condições atuais de tráfego.
Com a licença prévia concedida pelo COPAM, o DNIT passa a contar com uma etapa importante para avançar no processo de implantação e duplicação do trecho entre Patos de Minas e Patrocínio.
O próximo caminho envolve o cumprimento das condicionantes ambientais, a conclusão dos estudos e projetos necessários, a obtenção das licenças seguintes e o avanço dos procedimentos para contratação da obra.
Depois de anos de reivindicações, manifestações e disputas administrativas e judiciais, a licença representa um avanço concreto para que a duplicação saia do papel.
Para o Alto Paranaíba, a expectativa vai além de uma simples obra de infraestrutura. A duplicação da BR-365 significa mais segurança, maior capacidade de tráfego, melhores condições para o transporte de cargas e passageiros e uma ligação mais eficiente entre importantes municípios de Minas Gerais.
Essa foi uma grande conquista, que está ancorada no empenho do Governo Federal em promover a duplicação, porém o desafio continua para transformar a licença ambiental em obra executada, garantindo que o investimento esperado pela população efetivamente se traduza em uma BR-365 mais segura, moderna e preparada para o crescimento econômico da região.
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