Um trabalhador de Patos de Minas viveu uma sequência inusitada e assustadora na madrugada desta segunda-feira (10). O jovem de 23 anos foi abordado três vezes pelos mesmos criminosos em poucos minutos. O que começou com o roubo do celular evoluiu para ameaças, exigência de transferência via Pix e até uma ordem para que a vítima instalasse o aplicativo bancário no aparelho dos assaltantes.
De acordo com o Sargento Peres, a Polícia Militar foi acionada por volta das 9h desta segunda-feira, quando a vítima procurou os militares nas imediações da Lagoa Grande e relatou o que havia acontecido durante a madrugada.
Segundo o trabalhador, por volta das 3h40, ele foi abordado por dois indivíduos que estavam em uma motocicleta na Rua Quirino Fonseca, próximo a um supermercado. Os criminosos anunciaram o assalto, simulando estar armados, e exigiram o celular e a senha do aparelho. Depois de entregar o telefone, a vítima foi liberada e seguiu normalmente para o trabalho.
O problema, porém, estava longe de terminar. Quando passava pela Rua Manoel Dias, próximo a outro supermercado, o trabalhador foi novamente abordado pelos mesmos criminosos. Eles gritaram com a vítima e determinaram que ela não olhasse para trás. Desta vez, a exigência foi por dinheiro. Os criminosos mandaram que a vítima realizasse uma transferência via Pix.
Como não havia dinheiro disponível na conta, o trabalhador inicialmente fez um Pix programado. Os assaltantes perceberam a situação e passaram a exigir outra forma de pagamento. A vítima acabou sendo obrigada a realizar uma transferência de mais de R$ 900,00 na modalidade crédito. Somente depois disso foi novamente liberada.
Mas a sequência de abordagens ainda teria um terceiro capítulo. Poucos metros à frente, na mesma Rua Manoel Dias, os criminosos voltaram a interceptar a vítima. Desta vez, a exigência foi ainda mais inusitada: os assaltantes determinaram que o trabalhador instalasse o aplicativo bancário no celular deles.
Foi durante essa terceira abordagem que a vítima conseguiu perceber que os autores eram um homem e uma mulher, que utilizavam uma motocicleta vermelha.
Diante do relato, que chamou a atenção dos policiais pela sequência de acontecimentos, a Polícia Militar iniciou diligências para confirmar as informações apresentadas pela vítima, bastante inusitadas por sinal, gerando inclusive certa desconfiança.
Mas ocorreram de fato. Segundo o Sargento Peres, imagens de câmeras de segurança registraram toda a segunda abordagem. A partir das imagens, os militares conseguiram identificar a mulher de 26 anos e descobrir o endereço dela, no bairro Sorriso.
Os policiais foram até o imóvel e encontraram a suspeita realizando a limpeza da residência. O companheiro dela, de 30 anos, também compareceu ao endereço. Inicialmente, os dois negaram envolvimento no crime. Entretanto, de acordo com o Sargento Peres, quando os militares informaram que possuíam imagens das abordagens e dados referentes à transferência realizada via Pix, os suspeitos mudaram a versão.
O casal alegou que estaria passando por dificuldades financeiras e que o dinheiro recebido teria sido uma espécie de doação. A justificativa, porém, não convenceu os policiais.
Diante dos elementos levantados durante as diligências, os dois foram presos e encaminhados para a Delegacia de Polícia Civil. A motocicleta utilizada nas abordagens e os celulares também foram apreendidos. A Polícia Civil deverá dar sequência às investigações para apurar a participação do casal nos crimes e demais circunstâncias do caso.
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