Um sargento reformado da Polícia Militar foi indiciado por tentativa de homicídio após efetuar disparos contra um vizinho durante um conflito ocorrido no dia 27 de setembro deste ano, no bairro Caramuru, em Patos de Minas. Imagens de uma câmera de segurança e depoimentos ajudaram a Polícia Civil a concluir o inquérito. O militar alegou legítima defesa.
De acordo com a Polícia Civil, o vizinho foi até a casa do militar para reclamar de supostos arremessos de pedras contra o telhado da residência onde mora com a avó. Os imóveis são vizinhos de fundos, no bairro Caramuru.
O vizinho disse à polícia que foi até a casa do militar para pedir que os episódios parassem. Durante a conversa, o policial teria ido até uma Honda/Biz, retirado uma arma de fogo do baú, engatilhado o armamento e apontado em direção ao vizinho. A vítima teria corrido para se proteger, momento em que ouviu o disparo. Uma testemunha também relatou ter encontrado o vizinho bastante nervoso após o episódio e confirmou ter ouvido um estampido.
No local, a Polícia Militar não encontrou cápsulas nem marcas de projéteis. Uma moradora que possuía câmeras de segurança teria se recusado, inicialmente, a entregar as imagens por receio de represálias. Posteriormente, as equipes de inteligência da Polícia Militar conseguiram as gravações. Segundo a Polícia Civil, as imagens mostram o vizinho se aproximando do militar, que, em seguida, retira uma arma do baú da motocicleta e efetua dois disparos na direção da vítima.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, durante o interrogatório, o militar apresentou uma versão diferente. Ele teria afirmado que o vizinho chegou exaltado, proferindo ameaças de morte e avançando em sua direção. O sargento reformado disse que, temendo pela própria segurança e receando que o vizinho tentasse tomar sua arma, retirou do baú da motocicleta a pistola, que estaria regularmente registrada.
O militar afirmou que não apontou a arma diretamente para o vizinho e que efetuou apenas um disparo em direção à rua, com o objetivo de afastá-lo. O investigado disse ainda que tomou o cuidado de verificar se não havia outras pessoas no local e que, posteriormente, dispensou a arma.
Segundo a Polícia Civil, na conclusão do inquérito, foi considerado que as imagens obtidas durante a investigação contradizem a versão apresentada pelo investigado. O relatório aponta que a conduta, na avaliação da autoridade policial, demonstra intenção de matar ou, ao menos, a assunção consciente do risco de provocar a morte, ultrapassando os limites da legítima defesa.
O militar havia sido apresentado à Delegacia de Plantão acompanhado de seu advogado, e a prisão em flagrante foi ratificada pela prática, em tese, de tentativa de homicídio. O vizinho também foi conduzido à delegacia, uma vez que o sargento reformado afirmou ter sido ameaçado e manifestou interesse em representar criminalmente contra ele. Segundo o relatório, o vizinho foi autuado em procedimento separado por infração de menor potencial ofensivo e liberado.
Ao final do inquérito, a Polícia Civil decidiu pelo indiciamento do sargento reformado pelo crime de tentativa de homicídio. Os autos foram remetidos ao Judiciário da Comarca de Patos de Minas para as providências cabíveis.
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