Um policial militar aposentado, de 53 anos, foi preso pela Polícia Militar após uma ocorrência envolvendo disparos de arma de fogo contra um vizinho, na tarde desse domingo (27), no bairro Caramuru, em Patos de Minas. O caso teve como vítima um homem de 32 anos, que também foi conduzido por ameaça.
De acordo com as informações policiais, uma denúncia feita pelo telefone 190 informou que um homem teria efetuado disparos de arma de fogo em via pública contra o próprio vizinho. Quando os militares chegaram ao endereço, encontraram a vítima, que relatou ter sido alvo dos tiros.
Segundo ele, sua residência fica nos fundos do imóvel do policial militar aposentado. Ele afirmou aos policiais que os dois já vinham tendo problemas e que, em outras ocasiões, o veterano teria arremessado pedras por cima do muro em direção à sua casa.
Ainda conforme o relato, as pedras teriam provocado danos no telhado da residência. No domingo, após perceber que uma nova pedra havia atingido o telhado, o vizinho foi até a casa do militar para conversar sobre a situação.
A vítima contou que encontrou o policial aposentado na calçada e pediu que ele não jogasse mais pedras. Segundo o vizinho, durante a conversa, o policial aposentado teria sacado uma pistola, engatilhado a arma e efetuado um disparo em sua direção. Ele então correu do local. Uma testemunha informou aos militares que não presenciou a discussão, mas afirmou ter ouvido dois estampidos que poderiam ser provenientes de disparos.
Inicialmente, os policiais não encontraram cápsulas, marcas de tiros ou outros vestígios relacionados aos possíveis disparos. Uma equipe da Polícia Militar e o setor de inteligência, entretanto, conseguiram posteriormente imagens de câmeras de segurança que registraram a ocorrência.
Segundo as informações policiais, nas imagens é possível ver o vizinho se aproximando do militar, que estava deixando a residência em uma motocicleta Honda Biz. Após uma conversa, o policial aposentado teria retirado uma pistola do baú da motocicleta, engatilhado a arma e efetuado dois disparos em direção ao vizinho, que correu do local.
Durante as diligências, o policial aposetando foi localizado e conduzido à Delegacia de Plantão. Em depoimento aos militares, ele apresentou uma versão diferente sobre o ocorrido.
Segundo o policial aposentado, ele estava saindo de casa quando foi abordado pelo vizinho, que o questionou sobre as pedras arremessadas contra o telhado. Ele negou ter conhecimento sobre os objetos e pediu que o vizinho deixasse o local. Ainda conforme o relato apresentado à PM, o vizinho teria se recusado a sair e feito ameaças, dizendo que o policial aposentado “não sabia com quem estava mexendo” e, posteriormente, que iria “pegá-lo”.
O policial aposentado afirmou que, diante das ameaças, retirou sua arma particular, que estaria devidamente registrada e com porte regular, do baú da motocicleta. Segundo ele, ao ver a pistola, o vizinho teria dito “então atira” e caminhado em sua direção.
O policial aposentado declarou que efetuou um disparo porque temeu que o vizinho tentasse tomar sua arma ou atentasse contra sua integridade física. Ele afirmou ainda que, embora estivesse próximo do vizinho e tivesse condições de atingi-lo, direcionou os disparos para uma região próxima com o objetivo de dispersá-lo.
O policial aposentado disse também que, antes dos disparos, verificou se havia outras pessoas na via e que entendeu não haver outra alternativa diante da situação. Questionado sobre a arma, afirmou que a havia dispensado, mas não forneceu detalhes sobre onde ela estaria.
Diante das versões apresentadas, a Polícia Militar conduziu tanto o militar aposentando quanto o vizinho para a Delegacia de Polícia, onde seriam adotadas as medidas cabíveis pela autoridade policial.
Nenhum dos dois apresentava lesões aparentes. A ocorrência foi registrada como homicídio tentado e ameaça, sendo o militar apontado como autor dos disparos e o vizinho também conduzido em razão da versão apresentada pelo policial sobre as supostas ameaças.
A Polícia Militar informou que as imagens obtidas pelo setor de inteligência seriam encaminhadas posteriormente à autoridade policial responsável pela investigação. A arma utilizada nos disparos não foi localizada durante o atendimento da ocorrência.
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