A Polícia Civil de Minas Gerais indiciou Olímpio Luiz Neto, conhecido como “Pêta”, por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil, após um disparo de espingarda de pressão atingir o ombro de um homem de Patos de Minas. O crime aconteceu no dia 11 de agosto, em um bar localizado no bairro Jardim Panorâmico.
De acordo com o relatório policial, o caso aconteceu por volta das 13h45, no estabelecimento conhecido como “Bar do Pêta”, na Rua Elmo Hélio Pinheiro. A investigação aponta que o suspeito teria se envolvido em uma discussão com Wene Caetano Machado relacionada à cobrança de uma dívida referente ao consumo de bebidas alcoólicas.
Segundo a versão apresentada pela vítima à Polícia Civil, Olímpio teria mencionado uma lista de pessoas que seriam agredidas e afirmado que, devido ao porte físico de Wene, a situação seria resolvida “na bala”. Na sequência, ainda conforme o depoimento, ele teria ido até a residência, buscado uma espingarda de pressão e apontado a arma para o peito da vítima.
Wene relatou que, no momento em que o gatilho foi acionado, conseguiu empurrar o cano da arma com a mão. Com isso, o disparo não atingiu a região central do peito e acabou acertando o ombro esquerdo. O projétil teria perfurado a musculatura e ficado alojado no corpo. A vítima foi socorrida e encaminhada para atendimento médico.
Testemunha confirma disparo
Uma testemunha ouvida durante a investigação confirmou que estava no bar no momento do episódio. João Paulo Oliveira Rezende relatou que Olímpio estava realizando disparos contra latinhas colocadas sobre uma mesa.
Segundo a testemunha, Wene chegou ao estabelecimento, consumiu bebidas e pediu que Olímpio parasse de atirar. O investigado teria então municiado novamente a arma. João Paulo confirmou que Olímpio efetuou o disparo e que Wene levantou o cano da espingarda no momento do tiro, sendo atingido no ombro.
A testemunha também confirmou a existência da cobrança de uma dívida relacionada ao consumo de bebidas, embora tenha estimado o valor em R$ 1,1 mil, enquanto a vítima havia mencionado R$ 800.
Investigado admite que fazia disparos
Em depoimento, Olímpio Luiz Neto confirmou que era responsável pelo bar e que estava consumindo bebidas alcoólicas com as pessoas envolvidas no episódio. Ele também admitiu que realizava disparos com a espingarda de pressão contra latinhas dentro do estabelecimento.
O investigado, porém, afirmou não se recordar de como os fatos aconteceram, atribuindo a falta de memória ao consumo de álcool. Também negou ter motivos para atentar contra a vida de Wene, alegando que os dois eram amigos de longa data.
Perícia aponta que arma poderia matar
A espingarda utilizada no episódio foi apreendida pela Polícia Civil. Trata-se de uma arma de pressão calibre 5.5 mm, que passou por exame pericial.
O laudo apontou que o equipamento estava em boas condições de funcionamento e realizava disparos eficientes. Em resposta complementar, o perito afirmou que a espingarda poderia causar lesões à integridade física de uma pessoa e também poderia provocar a morte.
O exame realizado na vítima identificou uma lesão perfuro-contusa na região anterior do deltoide esquerdo. Também foi registrada uma lesão decorrente do procedimento médico realizado para tentar retirar o projétil, que havia ficado alojado no corpo.
Polícia Civil conclui investigação
No relatório final, o delegado responsável apontou que os elementos reunidos durante o inquérito indicam a autoria de Olímpio e sustentam a hipótese de tentativa de homicídio.
A Polícia Civil considerou, entre outros elementos, o fato de o investigado ter buscado a arma, municiado a espingarda e direcionado o disparo para a região do peito da vítima. O relatório também destaca o resultado da perícia, que apontou a capacidade do equipamento de causar a morte.
Ao final, Olímpio Luiz Neto foi indiciado pelo crime de homicídio qualificado por motivo fútil, na forma tentada, conforme o artigo 121, § 2º, inciso II, combinado com o artigo 14, inciso II, do Código Penal.
O inquérito tramita na 1ª Vara Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Patos de Minas. O documento informa que a Polícia Civil figura como autora do procedimento e Olímpio Luiz Neto como investigado.
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