Apesar do relevante trabalho de conscientização, os casos de racismo continuam fazendo vítimas na sociedade. Na manhã desse sábado (26), uma mulher de 59 anos proferiu ofensas de cunho racial contra uma técnica de enfermagem dentro da Santa Casa de Misericórdia de Patos de Minas. A ocorrência também foi registrada como desacato.
De acordo com as informações policiais, foi acionada por meio do telefone 190 e compareceu à Santa Casa, na Avenida Marabá, onde recebeu a denúncia de uma injúria racial contra uma funcionária do hospital. O caso ocorreu na enfermaria ortopédica.
Segundo o relato da técnica de enfermagem, ela estava trabalhando juntamente com outra profissional, realizando o banho de leito de uma paciente quando foi solicitada pela acusada, que também estava internada, para colocá-la novamente na cama.
A vítima informou que explicou à paciente que não poderia interromper naquele momento o procedimento que realizava, pois a outra paciente estava despida durante o banho. Ainda conforme o relato, ela informou que o técnico de enfermagem responsável por auxiliar a acusada a retornar para a cama já havia sido chamado e estava a caminho.
Conforme as informações policiais, após receber a explicação, a paciente teria ficado exaltada e passado a agir de maneira agressiva e grosseira contra a profissional. A paciente teria afirmado que já havia sido maltratada pela técnica de enfermagem em outra ocasião e, na sequência, teria dirigido à técnica a expressão de cunho racial registrada pela PM.
A ocorrência informa que os fatos foram confirmados pela técnica de enfermagem que estava presente durante o atendimento. Também teria presenciado parte da situação o técnico de enfermagem, que chegou ao local durante a ocorrência e relatou ter visto a paciente proferir a ofensa contra a vítima.
Outra profissional ouvida pelos policiais, também técnica de enfermagem, afirmou que teria sido ofendida e maltratada pela paciente em um serviço anterior. Segundo o relato registrado no boletim, a testemunha acredita que a paciente possa tê-la confundido com a vítima devido a características físicas semelhantes.
Ainda segundo a PM, a paciente foi ouvida sobre o ocorrido e confirmou ter dirigido a expressão à técnica de enfermagem. Ela, entretanto, negou ter tido atritos anteriores com outras funcionárias do estabelecimento. Diante dos relatos e da confirmação da própria paciente sobre a frase proferida, os policiais deram voz de prisão em flagrante à paciente pelos crimes de injúria racial e desacato. Ela foi informada sobre seus direitos e garantias constitucionais.
A mulher não foi conduzida imediatamente à Delegacia devido ao seu estado de saúde. Conforme as informações policiais, ela estava internada em razão de uma infecção no joelho esquerdo, onde possui uma prótese, e aguardava a realização de um procedimento cirúrgico previsto para a tarde daquele sábado.
A Polícia Militar considerou que a retirada da paciente do hospital poderia prejudicar seu quadro clínico e causar danos à saúde. Por isso, ela permaneceu na Santa Casa sob escolta policial, aguardando as providências da Polícia Judiciária e posterior substituição da escolta pela Polícia Penal.
O caso foi encaminhado para as providências cabíveis pelas autoridades competentes. O boletim de ocorrência registra como naturezas principais injúria racial e desacato, ambos apontados como consumados.
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