A grande quantidade de animais abandonados nas ruas de Patos de Minas tem gerado muitos transtornos. Eles provocam acidentes, atacam pessoas e também sofrem com atropelamentos, condições climáticas adversas e até agressões. Há relatos, inclusive, de que um cão teria sido esfaqueado recentemente. O Patos Hoje conversou com Fabiana Cristina, presidente da ONG Só Patas, que falou sobre a situação dos animais em Patos de Minas e estimou que cerca de 12 mil cães e gatos vivem nas ruas da cidade.
De acordo com Fabiana, o grande número de animais nas ruas tem agravado diferentes problemas, principalmente relacionados às doenças. Entre as principais preocupações estão casos de leishmaniose e cinomose. Ela disse que as entidades de proteção animal não possuem estrutura suficiente para atender toda a demanda. Fabiana explicou que a situação se torna ainda mais complicada em casos de doenças contagiosas, já que é necessário ter um espaço adequado para manter o animal durante o tratamento.
A situação foi apresentada durante uma reunião, nesta quinta-feira (03), com representantes do poder público municipal. De acordo com a ativista da causa animal, a entidade levou um plano de ação com medidas consideradas necessárias para enfrentar o problema. Entre as principais propostas está a implantação de um centro de acolhimento temporário de animais.
A proposta é que o espaço receba, de forma transitória, animais que necessitem de cuidados. Fabiana cita como exemplos cães e gatos doentes, cadelas no cio, animais em tratamento e fêmeas com filhotes. A intenção não é criar um abrigo permanente, mas oferecer condições para que os animais sejam recolhidos, tratados, castrados e posteriormente encaminhados para adoção.
Segundo Fabiana, a previsão apresentada durante a reunião é de que a estrutura possa ser concretizada entre o final deste ano e o início do próximo. No entanto, a presidente da ONG afirma que ainda serão necessárias adequações no projeto para atender à dimensão da demanda existente em Patos de Minas.
O planejamento apresentado pela entidade também prevê ações de conscientização contra o abandono e os maus-tratos, inclusive nas escolas. A proposta é criar um ciclo que passe pela prevenção do abandono, acolhimento temporário, tratamento, castração e adoção responsável.
Até que uma estrutura pública seja disponibilizada, as organizações de proteção animal acabam recebendo grande parte dos pedidos de socorro. O problema, segundo Fabiana, é que as entidades trabalham principalmente com recursos próprios e doações e não conseguem atender à quantidade de ocorrências.
Fabiana também pede que a população contribua enquanto o centro de acolhimento não é implantado. A orientação é que, dentro das possibilidades e com os cuidados necessários, as pessoas ajudem os animais em situação de rua e procurem as entidades de proteção quando precisarem de orientação.
Vale destacar que abandonar animais é crime de maus-tratos e pode resultar em punições. A legislação prevê reclusão de dois a cinco anos por abandonar cães ou gatos.
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