A profissão de professor, responsável por contribuir para a formação de todas as outras profissões, é reconhecida como fundamental para o desenvolvimento da sociedade. No entanto, neste 15 de outubro, Dia do Professor, uma educadora de Patos de Minas relata ter vivido uma situação que, em vez de reconhecimento e respeito, lhe trouxe sentimentos de tristeza, constrangimento e humilhação.

Edna Maria de Sousa, professora de Língua Portuguesa nas redes estadual e municipal de ensino, procurou a reportagem do Patos Hoje na tarde desta quinta-feira (15) para relatar o episódio ocorrido durante um atendimento em uma unidade de saúde do município. Ainda bastante abalada, ela contou que se sentiu diminuída após uma observação feita pelo médico que a atendeu.

Segundo Edna, ela esteve na unidade de saúde durante a manhã para realizar exames de rotina, buscar medicação e aferir a pressão arterial, uma vez que estaria apresentando pressão alta. Durante o atendimento, o médico teria recomendado que ela acompanhasse a pressão arterial em casa. A professora explicou, entretanto, que sua rotina de trabalho, com atividades nos períodos da manhã e da tarde e, em algumas ocasiões, também à noite, tornaria difícil seguir a orientação da maneira proposta.

Foi nesse momento, conforme o relato da educadora, que o médico teria associado sua jornada de trabalho à atividade de safrista, trabalhador que atua na colheita durante determinados períodos do ano. A observação, segundo ela, foi feita de uma maneira que a deixou profundamente magoada.

Edna ressaltou que não tem qualquer intenção de diminuir ou desmerecer a profissão de safrista, que também possui sua importância e exige dedicação. O que a feriu, segundo explicou, foi a suposição feita a respeito de sua atividade profissional, especialmente diante da rotina intensa que enfrenta como professora.

Sentindo-se ofendida com a situação, a educadora informou que registrou uma ocorrência policial e procurou a Ouvidoria do Município para relatar o ocorrido e solicitar as providências cabíveis. “ No Dia do Professor, eu me senti humilhada, diminuída”, concluiu Edna.

O episódio relatado pela professora traz à tona uma reflexão necessária sobre o respeito aos profissionais da educação. Ser professor vai muito além de transmitir conteúdos em sala de aula. É participar da formação de cidadãos, despertar o pensamento crítico, incentivar sonhos, compartilhar conhecimentos e contribuir para a construção de um futuro melhor.

Por trás de cada aula, existe uma rotina que exige planejamento, estudo, preparação, responsabilidade e dedicação. Muitos educadores trabalham em mais de uma escola, cumprem jornadas extensas e levam para casa tarefas que vão muito além do horário em que estão diante dos alunos. É um trabalho que exige não apenas conhecimento, mas também paciência, compromisso e sensibilidade.

Valorizar o professor significa reconhecer a relevância de sua atuação, garantir condições dignas de trabalho, oferecer remuneração justa e, sobretudo, tratá-lo com respeito e consideração em todos os espaços da sociedade. Neste Dia do Professor, a data deve ser mais do que uma oportunidade para homenagens e mensagens de agradecimento. Deve servir também como um convite à reflexão sobre a maneira como esses profissionais são tratados cotidianamente.

Afinal, antes de cada médico, advogado, engenheiro, jornalista ou profissional de qualquer outra área, existe alguém que contribuiu para sua formação. Reconhecer a importância do professor é compreender que nenhuma sociedade pode almejar um futuro melhor sem respeitar, valorizar e dignificar aqueles que dedicam suas vidas à educação.