Os casos de leishmaniose em cães continuam chamando a atenção em Patos de Minas. Somente em 2026, 107 animais já testaram positivo para a doença no município. No ano passado inteiro, foram 131 casos, enquanto 79 cães tiveram diagnóstico positivo em 2024. A doença também atinge seres humanos e, neste ano, já foram confirmados sete casos de leishmaniose visceral e um de leishmaniose cutânea ou tegumentar na cidade.

Segundo a médica veterinária Mariana Martins, a leishmaniose é uma zoonose causada por um protozoário e transmitida pelo mosquito-palha. O cão infectado não transmite a doença diretamente para outro animal ou para uma pessoa. A transmissão ocorre por meio do inseto vetor.

Mariana acompanhou, nesta semana, o caso de um cão que morreu vítima da leishmaniose. Ela explicou que existe tratamento, mas, quando o animal é diagnosticado, permanece infectado pelo resto da vida. Por isso, além do acompanhamento veterinário, são necessários cuidados permanentes para reduzir o risco de transmissão.

Entre os principais sinais de alerta estão emagrecimento rápido, crescimento exagerado das unhas, feridas na pele, principalmente no rosto, nas orelhas e no focinho, além de apatia. Mudanças repentinas no comportamento do animal também merecem atenção.

Ao perceber algum desses sintomas, a orientação é procurar atendimento veterinário. O diagnóstico pode ser feito por meio de testes e exames. Os testes rápidos também são disponibilizados gratuitamente pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Patos de Minas.

Em caso positivo, há notificação obrigatória ao município. A partir disso, são adotados os procedimentos de vigilância necessários. Caso o tutor opte pelo tratamento do animal, ele deverá ser acompanhado por um médico veterinário, que indicará os medicamentos e demais cuidados necessários.

De acordo com Mariana, a principal forma de prevenção é impedir o contato do cão com o mosquito-palha. Entre as alternativas estão as coleiras repelentes à base de deltametrina, que geralmente possuem duração de quatro a seis meses. Para animais que apresentam alergia à coleira, existem outras opções que devem ser indicadas pelo médico veterinário.

Os cuidados com o ambiente também são fundamentais. O mosquito-palha tem preferência por locais com acúmulo de matéria orgânica. Por isso, folhas, frutas caídas e outros materiais em decomposição devem ser retirados dos quintais. Áreas próximas a matas, lagos e lagoas também exigem atenção.

A Prefeitura de Patos de Minas informou que “A Secretaria Municipal de Saúde, por meio do Centro de Controle de Zoonoses, realiza testes gratuitos em animais, por demanda espontânea, para detecção de leishmaniose. Além disso, estão sendo realizadas capacitações com agentes de saúde do município sobre a doença, com o objetivo de capacitar esses profissionais e torná-los aptos a identificar animais com suspeita da doença durante as visitas domiciliares.

Além disso, a prefeitura recorrentemente destaca o tema em seus canais oficiais de comunicação, buscando ampliar as informações sobre a doença entre a comunidade”, concluiu a nota.

Casos em humanos

Dados da prefeitura mostram que sete casos de leishmaniose visceral foram registrados em humanos em 2026. O número é superior ao contabilizado em cada um dos anos anteriores desde 2020. Em 2025, houve um caso; em 2024, três; e, em 2023, 2022, 2021 e 2020, um caso por ano.

Ao todo, foram 15 casos de leishmaniose visceral entre 2020 e 2026. Nesse período, foi registrado um óbito, ocorrido em 2022.

Em relação à leishmaniose cutânea ou tegumentar, Patos de Minas contabiliza um caso neste ano. Foram três em 2025, dois em 2024, cinco em 2023, cinco em 2022, sete em 2021 e cinco em 2020. São 31 registros no período, sem óbitos.