A Dataminas Contabilidade amanheceu de portas fechadas nesta segunda-feira, um dia após o segundo turno das eleições presidenciais. O escritório decidiu parar por 24 horas em protesto contra o resultado das urnas e, sobretudo, contra o peso dos impostos que recai sobre quem produz no país.

No domingo (25), o Tribunal Superior Eleitoral confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). O novo mandato vai de 2027 a 2030.

"Hoje, o meu escritório não vai gerar, calcular nem transmitir um único real de imposto para o governo. É um dia de silêncio de quem sustenta essa máquina", afirma o contador e CEO da Dataminas, Wellington Gonçalves.

O protesto é simbólico. Segundo o CEO, nenhum cliente será prejudicado: guias e obrigações com vencimento nesta data foram programadas com antecedência, e o atendimento volta ao normal na terça-feira (27).

Uma das cargas tributárias mais pesadas do mundo

A carga tributária bruta brasileira chegou a 32,4% do PIB em 2025, o maior nível da série histórica do Tesouro Nacional. Pelos critérios da OCDE, o índice chega a 33,7% do PIB, o maior da América Latina.

Na prática, o brasileiro trabalha cerca de três meses por ano só para pagar tributos. O país tem mais de 90 tributos oficiais entre União, estados e municípios

"O empresário brasileiro paga imposto de país rico e recebe serviço de país pobre. Paga na compra, paga na venda, paga na folha, paga no lucro. E, quando sobra alguma coisa, ainda paga para tirar o dinheiro do banco", diz Wellington.

Para o contador, o problema não é só o tamanho da conta, mas a forma como ela é cobrada. "Quase metade da arrecadação vem do consumo; quem paga é o pequeno comerciante, o prestador de serviço, a família que vai ao supermercado. É um sistema que pune quem trabalha”.

Muito arrecadado, pouco devolvido.

O Brasil cobra quase o mesmo que a média dos países da OCDE, em torno de 34% do PIB, mas sem a renda e os serviços públicos desses países. Levantamento do IBPT coloca o país em último lugar, entre os 30 de maior carga tributária, no índice de retorno de bem-estar à sociedade.

"O dinheiro sai do caixa da empresa todo mês, sem atraso. O que volta? Estrada esburacada, fila no posto de saúde, insegurança. A sensação do empresário é de que o governo gasta o dinheiro público a favor da própria máquina, e não de quem paga a conta", critica Wellington

Ele lembra que, quando falta dinheiro, a saída costuma ser a mesma. "Em vez de cortar o próprio gasto, o governo aumenta alíquota, cria taxa nova, aperta o IOF. A conta sempre cai no colo de quem produz."

Qual será o Plano B?

Para Wellington reclamar não basta: o empresário precisa se proteger dentro da lei. "Não dá para escolher o governo que a gente queria. Mas dá para escolher como a sua empresa vai atravessar esses anos", resume. Ele lista cinco frentes para os clientes:

1 - Planejamento tributário já. Rever o regime (Simples, Lucro Presumido ou Real) antes de janeiro. Muita empresa paga mais do que deveria por estar no regime errado.

2 - Preparar-se para a reforma tributária. A transição para a CBS e o IBS muda preços, contratos e créditos. Quem se adaptar primeiro sai na frente.

3 - Caixa como prioridade. Formar reserva, renegociar dívidas caras e evitar crédito com juros altos.

4 - Recuperar o que é seu. Revisar créditos tributários pagos a mais nos últimos cinco anos.

5 - Gestão com números. Fluxo de caixa mensal, margem real por produto e custo da folha na ponta do lápis.

"Imposto se paga em dia, mas se paga o justo. Nem um centavo a mais. Esse é o nosso papel", afirma.

Quatro anos desafiadores

O contador prevê um período duro para quem empreende: carga alta, juros pesados e regras tributárias em plena mudança. "Os próximos quatro anos vão exigir do empresário brasileiro mais estratégia do que nunca. Quem trabalhar no improviso vai pagar caro", alerta.

Ao final, Wellington deixa um recado direto aos clientes da Dataminas:

"Vocês são a parte do Brasil que acorda cedo, abre a porta, paga salário e gera emprego. Hoje a gente fechou para lembrar que esse país não funciona sem vocês. Amanhã a gente volta, mais forte, para defender cada real do seu caixa. Contem comigo."

A nota completa, escrita pelo nosso Contador CEO, Wellington Gonçalves, está disponível em nosso site: www.dataminas.com


Informe Publicitário