Associados da Vila Olímpica da URT, localizada no bairro Cidade Nova, em Patos de Minas, procuraram a reportagem do Patos Hoje para demonstrarem a indignação diante do anúncio de que o espaço será fechado a partir desta segunda-feira (17). Segundo os frequentadores, o comunicado informa que a área será utilizada para a construção de um centro de treinamento ligado à SAF que está sendo criada pela URT.
Segundo Valter Gomes, associado que acompanha a história da Vila Olímpica desde os primeiros anos e ex-superintendente, o último dia de funcionamento para os associados é neste domingo (16). Ele afirma que os associados não são contrários à SAF, mas questiona a forma como a Vila Olímpica estaria sendo retirada dos frequentadores.
Valter também argumenta que o projeto anunciado para o local precisaria considerar as características ambientais da área. De acordo com ele, existe uma nascente, nas proximidades, além de um curso d'água.
O associado afirma ainda que o terreno já teria sido utilizado anteriormente em discussões relacionadas às dívidas da URT. Segundo Valter, os associados pretendem reunir assinaturas e, posteriormente, buscar a Justiça para tentar garantir os direitos de quem contribuiu para a construção e manutenção da Vila Olímpica.
Ele contou que alguns associados não se opõem à perda do espaço, desde que sejam indenizados pelos valores investidos ao longo dos anos. A Vila Olímpica teria sido mantida com contribuições dos associados e trabalho voluntário, incluindo profissionais que ajudaram na construção e manutenção das estruturas.
O diretor de esportes da Vila Olímpica, Fabrício Reis, afirma que mais de 2.400 famílias frequentam o espaço. Para ele, o sentimento entre os associados é de tristeza, principalmente pela forma como o fechamento teria sido comunicado.
Além do impacto para os frequentadores, Fabrício afirma que o encerramento das atividades também pode provocar o desemprego de funcionários que trabalham no local. Ele próprio afirma que é responsável pelo bar da Vila Olímpica e que a atividade representa sua principal fonte de renda. Segundo Fabrício, funcionários da secretaria e da limpeza também podem perder o emprego caso o espaço deixe de funcionar.
O ex-superintendente e primeiro diretor de esportes da Vila Olímpica, Ademir Corrêa de Castro, disse que, durante grande parte da história da Vila Olímpica, os cargos de administração foram ocupados por associados que participavam diretamente das atividades do espaço. Ele afirma que os próprios associados foram responsáveis por levantar recursos e realizar obras. Entre as ações utilizadas para arrecadar dinheiro, estavam eventos e promoções.
De acordo com Ademir a construção do espaço começou nos anos 90 e a empresa responsável não conseguiu concluir. Na época, os chamados associados remidos compraram as cotas e deram continuidade ao projeto. Os cargos de administração teriam sido ocupados por associados, sem relações com a URT e de forma ininterrupta, até 2022.
Os associados afirmam que pretendem continuar mobilizados para tentar preservar o espaço e devem buscar medidas jurídicas.
O Patos Hoje entrou em contato com o Conselho Deliberativo da URT que se pronunciou por meio da seguinte nota:
“Como é de conhecimento de todos, a União Recreativa dos Trabalhadores – URT vem conduzindo internamente as tratativas e os procedimentos relacionados à constituição da Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Todas as matérias e demandas que chegam à Diretoria Executiva são devidamente encaminhadas ao Conselho Deliberativo, órgão responsável por analisá-las, discuti-las e deliberar sobre os assuntos submetidos à sua apreciação, dentro das competências previstas no Estatuto da instituição.
No que diz respeito à Vila Olímpica, a matéria foi formalmente apresentada ao Conselho Deliberativo, colocada em discussão e, posteriormente, submetida à votação, tendo sido aprovada a sua dissolução.
Ressaltamos que todos os procedimentos relacionados a esse processo vêm sendo acompanhados pelo setor jurídico da URT, com o objetivo de assegurar que cada etapa seja conduzida de acordo com as normas estatutárias e a legislação aplicável.
A URT seguirá tratando todas as decisões relacionadas ao seu futuro com responsabilidade, transparência e respeito às instâncias competentes da instituição”.
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