Os casos de violência doméstica chamam a atenção em Patos de Minas. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelam que, até o dia 30 de junho deste ano, foram registrados 407 casos de violência doméstica no município, o equivalente a mais de duas vítimas por dia. Apesar do número elevado, um dado considerado positivo é a rapidez na concessão das medidas protetivas. O Patos Hoje conversou com a delegada da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Tatiana Carvalho, sobre o cenário da violência doméstica e a importância da denúncia.
Os dados do Painel de Violência contra a Mulher do CNJ consideram os registros realizados até 30 de junho de 2026. Segundo os dados públicos, os meses com maior número de registros foram abril, com 83 casos, e janeiro, com 82. No mesmo período, foram solicitadas 274 medidas protetivas de urgência. Destas, 169 foram concedidas no mesmo dia da solicitação. Por outro lado, o levantamento também aponta que 54 agressores descumpriram as determinações judiciais.
Em entrevista ao Patos Hoje, a delegada Tatiana Carvalho destacou que os números não significam necessariamente um aumento da violência contra a mulher, mas refletem, principalmente, uma maior conscientização das vítimas. De acordo com ela, as campanhas de informação e a divulgação dos canais de denúncia têm feito com que mais mulheres deixem de aceitar situações de violência e procurem ajuda.
A delegada ressaltou que os relacionamentos abusivos costumam apresentar sinais antes mesmo das agressões físicas. Ciúmes excessivos, controle exagerado da rotina, perseguições, isolamento da vítima de amigos e familiares e comportamentos possessivos são alguns dos indícios de que o relacionamento pode evoluir para episódios de violência física, moral, patrimonial ou sexual.
De acordo com Tatiana Carvalho, o ideal é que a vítima consiga encerrar esse tipo de relacionamento antes que a violência se agrave. Ela destacou que esse rompimento nem sempre é simples, especialmente quando há dependência financeira ou emocional, mas orienta que as mulheres busquem apoio da família, de amigos e da rede de proteção existente em Patos de Minas. Entre os serviços disponíveis está a Casa da Mulher, que oferece acompanhamento psicológico.
A delegada também explicou que registrar um boletim de ocorrência é apenas o primeiro passo. Para que seja instaurado um procedimento criminal contra o agressor, é fundamental que a vítima procure a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher. A partir desse atendimento, serão adotadas as providências legais de acordo com cada caso, podendo envolver crimes como ameaça, lesão corporal ou até o descumprimento de medida protetiva.
Sobre as medidas protetivas, a delegada explicou que elas são destinadas aos casos em que a vítima corre risco e precisa de proteção imediata. Após o pedido ser feito na delegacia, o caso é encaminhado no mesmo dia ao Poder Judiciário, que analisa a solicitação. Quando concedida, a medida pode determinar, por exemplo, o afastamento do agressor do lar, a proibição de aproximação e outras restrições necessárias para garantir a segurança da vítima.
Ao final da entrevista, a delegada fez um apelo para que mulheres que vivenciam qualquer tipo de violência não permaneçam em silêncio. Ela reforçou que a violência doméstica não deve ser encarada como algo normal e que romper esse ciclo é fundamental para evitar consequências ainda mais graves. Tatiana também destacou a importância da participação de familiares, amigos e vizinhos, incentivando que denúncias sejam feitas sempre que houver suspeita de violência, para que a rede de proteção possa agir o quanto antes.
Em casos de dúvidas, denúncias ou pedidos de ajuda, os canais de atendimento são:
• Central de Atendimento à Mulher: 180;
• Chame a Frida da Polícia Civil: (WhatsApp) (34) 98419-3642;
• Polícia Civil: 197;
• Polícia Militar: 190;
• Casa da Mulher de Patos de Minas: (34) 3822-9827.
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