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Publicado em 20/03/2017
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Prova Brasil: metade dos professores não consegue cumprir conteúdo planejado

Metade dos professores do ensino fundamental (51%) conseguiu desenvolver pelo menos 80% do conteúdo previsto para o ano. Na outra ponta, 11% concluíram menos de 60% daquilo que deveria ter sido ensinado aos alunos.

Os dados são do questionário da Prova Brasil 2015, aplicado a diretores, alunos e professores do 5º e do 9º ano do ensino fundamental de todo o país. As informações foram organizadas e divulgados hoje (20) na plataforma QEdu (www.qedu.org.br)

Quando considerados apenas os professores do 9º ano, menos da metade (45%) desenvolveu pelo menos 80% do conteúdo previsto para as turmas que fizeram a Prova Brasil em 2015. Já entre os professores do 5º ano, a porcentagem chega a 55%. A questão foi respondida por mais de 262 mil professores.

A maioria dos professores (91%) disse ainda que gasta até 20% do tempo da aula com tarefas administrativas como fazendo a chamada ou preenchendo formulários. Outros 20% da aula são gastos para manter a ordem e a disciplina em sala de aula para 70% dos professores.

O tempo que resta para atividades de ensino e aprendizagem é de menos de 80% do total para 57% dos professores. Considerando uma aula de 50 minutos, isso significa que, nos melhores cenários, menos de 40 minutos são dedicados de fato ao ensino.

Segundo o pesquisador da Fundação Lemann, sediada em São Paulo, Ernesto Faria, os dados são preocupantes. "Os alunos não estão tendo acesso a conteúdos importantes. Os professores conseguem cumprir uma parte, mas conteúdos importantes sequer são apresentados", disse.

O resultado pode ser visto no desempenho dos estudantes brasileiros na última divulgação da Prova Brasil. A avaliação de 2015 mostrou que, ao deixar a escola, no fim do ensino médio, apenas 7,3% dos estudantes aprendem o mínimo adequado em matemática e 27,5% em português.

De acordo com Faria, esses dados podem ser usados para se pensar a Base Nacional Comum Curricular, que atualmente está em discussão no Ministério da Educação. A base deverá orientar o que deve ser ensinado em cada etapa escolar.

"Não basta só ter um documento e currículo de altas expectativas e não resolver problemas de material didático e estratégias para aprendizagem. Não adianta ter um currículo bom, mas não cumprido na sala de aula", afirma. Os questionários foram respondidos por 52.341 diretores, 262.417 professores e 3.810.459 estudantes.

Condições de trabalho

Os problemas nas escolas são diversos. Segundo a maior parte dos diretores (70%), o ensino foi dificultado por falta de recursos financeiros. Mais da metade (55%) disse ter enfrentado dificuldades por falta de recursos pedagógicos.

Os dados mostram ainda que a maioria dos professores trabalha 40 horas ou mais (66%) e que 40% deles lecionam em duas ou mais escolas. Pelo menos um terço (34%), ganhava, como professores, menos do que o piso salarial estabelecido pela Lei do Piso (Lei 11.738/2008) para aquele ano, que era de R$ 1.917,78.

A professora Cleonice Santos, 43 anos, concilia mais de um trabalho. Durante o dia, dá aulas de português para o 9º ano do ensino fundamental no Centro de Ensino Fundamental 10 do Gama, no Distrito Federal. À noite, leciona no ensino médio do Centro de Ensino Médio 2 do Gama.

"Tenho uma vida muito corrida. Trabalho de manhã, saio da escola, ajudo minhas filhas com o dever de casa, deixo nas escolas onde estudam, volto para a minha à tarde. Depois busco as minhas filhas, ajudo com o dever do dia seguinte e vou para a escola à noite. É corrido, cansativo, mas consigo levar com planejamento. Cleonice disse gostar muito da profissão. Consegue concluir o conteúdo do ensino fundamental, mas não do médio. Quando perguntada se se sente desvalorizada, Cleonice responde: "Estou em greve".

Assim como Cleonice, 30% dos professores acreditam que a sobrecarga, que dificulta o planejamento da aula, atrapalha a aprendizagem dos alunos; e 29% opinam que a insatisfação e o desestímulo com a profissão impactam também no aprendizado dos estudantes.

Considerando todas as escolas em que o professor trabalha, atualmente 36% gastam menos de um terço da carga horária para o planejamento das aulas. Pela Lei do Piso, esse é o tempo garantido ao professor para que planeje as atividades a serem desenvolvidas em sala de aula.

"Infelizmente, continuamos com muitas dificuldades. A começar pela própria infraestrutura das escolas. Temos reclamações de professores com salas superlotadas, salas muito quentes, que atrapalham o aprendizado, falta de luz, de água. Isso tudo somado ao não cumprimento da Lei do Piso", afirmou o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo. "Os governantes dizem que os alunos são prejudicados só quando tem greve. Isso não é verdade, eles precisam tomar uma atitude porque os alunos são prejudicados o ano inteiro", finaliza.

Fonte: Agência Brasil 

Giraffas
Postado em 20/03/2017
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4 comentários

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  • MIRAOKU DO 6 | 6 meses atrás

    Meus caros, a questão é muito mais complexa: Salarios aviltantes obrigando a jornadas duplas e ate triplas, indisciplina de alunos, falta completa de interesse dos alunos, cansaço dos que trabalham de dia e estudam a noite, falta de material didatico, falta de condições fisicas adequadas, dentre outras mazelas! Isso é tão verdadeiro, que o MARISTA, CNSG, Da vinci por exemplo, são otimas escolas, caras é obvio, mas entregam o que prometem! Na minha epoca de criança, era invertido, a escola publica que era boa, tanto que estudei do primario à faculdade em escola publica e nao tenho queixas.

    2 0 Responder

  • Volta à disciplina nas salas de aula | 6 meses atrás

    Outra coisa que precisa ser feita é voltar a dar autoridade aos professores, pois atualmente os professores não têm autoridade nenhuma. São os alunos que fazem o que bem querem em sala de aula e os professores têm de aguentar as malcriações e falta de respeito dos maus alunos que hoje em dia são a maioria.

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  • Trojan | 6 meses atrás

    Professores no Brasil são massa de manobra, já dizia o ditado... quem sabe faz quem não sabe ensina.... ou melhor... "Quem sabe faz quem não sabe DOUTRINA"

    3 2 Responder

  • Profissão insalúbre | 6 meses atrás

    Sei que os professores fazem isso por necessidade, mas uma das coisas mais erradas que eu acho que os professores fazem é dar aulas em várias escolas. E eu explico o porquê dessa minha opinião. O acúmulo de empregos dos professores em várias escolas faz com que eles fiquem sobrecarregados e isso acaba diminuindo a qualidade da aula que eles dão, pois eles ficam cansados e estressados, sem as condições físicas e mentais necessárias para se dedicarem de corpo e alma ao ensino da matéria que cada um deles leciona. Ao meu ver a solução, seria aumentar o salário dos professores e colocar através de lei um limite no acúmulo de empregos por parte dos professores.

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  • garga mel | 6 meses atrás

    e ainda querem fazerem manifestaçoes, greves, paralizacoes! :joy: :tired_face:

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