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Voluntários de testes de vacinas no Brasil esperam salvar vidas, não ganhar fama

O Brasil tornou-se um importante centro de testes para vacinas devido à escala do surto

De médicos cansados de ver pacientes morrerem a parentes que perderam entes queridos, milhares de brasileiros são voluntários para testes de vacinas contra a Covid-19 em um dos países mais afetados do mundo, na esperança de que seu heroísmo silencioso possa salvar vidas.

O Brasil tornou-se um importante centro de testes para vacinas devido à escala do surto, com mais de 7,3 milhões de pessoas infectadas e mais de 180.000 mortas pelo coronavírus.

Denise Abranches, de 47 anos, coordenadora de odontologia em um hospital de São Paulo, foi a primeira voluntária fora do Reino Unido a tomar a vacina experimental da AstraZeneca.

“Testemunhei muitas mortes solitárias aqui: pacientes que não podiam se despedir de seus parentes; parentes que não podiam se despedir de seus entes queridos. Quando o teste da vacina chegou, eu me inscrevi imediatamente”, disse ela à Reuters.

“Esse esforço global de voluntários em busca de uma vacina será lembrado e ficará na história”, afirmou. “O gesto de amor dos voluntários, é assim que eu gostaria de ser lembrada.”

Além da vacina da AstraZeneca, o país também recebeu ensaios da Johnson & Johnson, Pfizer e a parceira BioNTech, e Sinovac Biotech, da China.

Embora o presidente Jair Bolsonaro, criticado pela condução da pandemia, tenha prometido não tomar nenhuma vacina contra o coronavírus, mesmo que aprovada pelas autoridades de saúde brasileiras, muitos voluntários estão convencidos de que a vacinação é a única forma de acabar com a crise.

Alguns, como Monica Aparecida Calazans, uma enfermeira que participou do estudo da Sinovac, sentiram a obrigação pessoal de contribuir.

“Meu irmão, de 47 anos, teve Covid-19”, disse ela à Reuters. “Se eu não tomar a vacina, nunca saberemos se funciona ou não. Por ele, e por todos os outros também, tive a motivação de participar do ensaio.”

O centro biomédico responsável pelos testes em estágio avançado da Sinovac no Brasil, o Instituto Butantan, disse na quarta-feira que a vacina atingiu o limite de 50% de eficácia estabelecido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e prometeu liberar informações mais detalhadas dentro de duas semanas, como parte dos testes globais.

Fonte: Reuters

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