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Vacina da AstraZeneca mostra-se promissora em idosos, resultado de teste deve sair até Natal

“As respostas robustas de anticorpos e células T vistas em pessoas mais velhas em nosso estudo são encorajadoras”, disse Maheshi Ramasamy

A potencial vacina contra Covid-19 desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford produziu uma forte resposta imune em adultos mais velhos, mostraram dados publicados nesta quinta-feira, com os pesquisadores afirmando que esperam divulgar os resultados dos testes com a vacina em estágio avançado até o Natal.

Os dados, parcialmente divulgados no mês passado, mas publicados na íntegra na revista médica The Lancet nesta quinta, sugerem que pessoas com mais de 70 anos, que têm maior risco de ficarem graves ou morrerem da Covid-19, podem criar uma imunidade robusta.

“As respostas robustas de anticorpos e células T vistas em pessoas mais velhas em nosso estudo são encorajadoras”, disse Maheshi Ramasamy, consultor e co-investigador do Grupo de Vacina de Oxford.

“Esperamos que isso signifique que nossa vacina vá ajudar a proteger algumas das pessoas mais vulneráveis em nossa sociedade, mas mais pesquisa é necessária antes que possamos ter certeza.”

Os testes em estágio avançado, ou de Fase 3, estão em andamento para tentar confirmar essas descobertas, disseram os pesquisadores, e para testar se a vacina protege da infecção pelo vírus SARS-CoV-2 em uma ampla gama de pessoas, incluindo com problemas de saúde subjacentes.

Os resultados desses testes devem definitivamente ser conhecidos até o Natal, disse o diretor do Grupo de Vacinas de Oxford, Andrew Pollard, acrescentando que ainda é muito cedo para saber se e quão bem a vacina funciona na prevenção da Covid-19.

“Ainda não chegamos a esse ponto. Obviamente não vamos apressar isso”, disse ele à Rádio BBC. “Estamos nos aproximando, e definitivamente será antes do Natal, baseado no progresso que temos.”

A candidata a vacina Oxford/AstraZeneca está sendo testada no Brasil em estudo liderado pelo Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O Ministério da Saúde fez acordo com a farmacêutica para adquirir doses da vacina e para a produção dela no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A candidata a vacina, chamada de AZD1222 ou ChAdOx1 nCoV-19, já esteve entre as líderes nos esforços globais para desenvolver um imunizante que proteja contra o novo coronavírus.

Mas as farmacêuticas Pfizer, BioNTech e Moderna tomaram a frente nos últimos 10 dias, divulgando dados de testes em estágio avançado que mostraram eficácia superior a 90% de suas candidatas.

Ao contrário das vacinas Pfizer/BioNTech e Moderna, que usam uma nova tecnologia chamada RNA mensageiro (mRNA), a candidata da AstraZeneca usa a tecnologia de vetor viral, feita de uma versão enfraquecida de um vírus comum de gripe encontrado em chimpanzés.

Os testes em Fase 2 publicados na The Lancet envolveram 560 voluntários saudáveis, com 160 deles com idades entre 18 e 55 anos, 160 de entre 56 e 69 anos e 240 com mais de 70 anos.

Os voluntários receberam duas doses da vacina ou de um placebo e nenhum efeito colateral grave relacionado à vacina foi relatado, disseram os pesquisadores.

A AstraZeneca assinou vários acordos para fornecimento da vacina com empresas e governos ao redor do mundo.

Fonte: Reuters

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