PSL avalia suspensão de Eduardo Bolsonaro e outros 18 deputados

No caso de ser suspenso, Eduardo terá que deixar a liderança

O PSL abriu nesta terça-feira processo disciplinar contra 19 deputados do grupo bolsonarista, entre eles o filho do presidente Jair Bolsonaro e líder da legenda na Câmara, Eduardo Bolsonaro (SP), agravando ainda mais a crise interna no partido.

De acordo com o líder do PSL no Senado, Major Olimpio (SP), o grupo de deputados terá cinco dias para se defender antes que a sigla determine a suspensão. No caso de ser suspenso, Eduardo terá que deixar a liderança, e a Executiva também analisa a questão do diretório estadual de São Paulo, onde o deputado detém a presidência.

Entre os 19 deputados também estão os cinco parlamentares que haviam sido suspensos na semana passada —Carla Zambelly (SP), Carlos Jordy (RJ), Alê Silva (MG), Filipe Barros (PR) e Bibo Nunes (RS)—, mas que tiveram a punição retirada na segunda-feira em uma tentativa fracassada de apaziguamento da crise no partido.

“Na primeira etapa é suspensão. A expulsão é etapa seguinte”, disse o Major Olimpio, acrescentando que os deputados podem até mesmo perder o mandato e serem substituídos por suplentes.

“O problema é o seguinte: muita gente acha que porque tem mandato parlamentar tem salvo-conduto. Pensa que é igual ministro do STF, que pensam que não são fiscalizáveis. Alguns feriram cláusulas partidárias de forma séria, atacando a instituição partidária, alguns integrantes. Isso pode demandar representações”, afirmou.

Na sexta-feira, a Executiva decidira pela suspensão dos cinco parlamentares do grupo bolsonarista e por abrir uma representação no Conselho de Ética contra Daniel Silveira (RJ), que gravou uma reunião interna do partido, em meio a uma guerra interna para determinar o líder da legenda na Câmara. A disputa se concentrou nos nomes de Eduardo Bolsonaro e do então líder da sigla, Delegado Waldir (GO).

Em uma demonstração de boa vontade depois de uma conversa entre o presidente do PSL, Luciano Bivar, com o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, na segunda-feira, em que ambos combinaram tentar encontrar um terceiro nome para a liderança do partido na Câmara, Bivar decidiu revogar a suspensão.

No entanto, depois de o grupo bolsonarista apresentar uma nova lista indicando Eduardo para a liderança no lugar de Waldir, inclusive com a assinatura dos cinco deputados que seriam suspensos, a guerra foi novamente aberta no partido.

O PSL deve inclusive aumentar o número de parlamentares suspensos, o que pode incluir o próprio Eduardo —que, ao assumir a liderança na segunda-feira, apesar de falar em diálogo, destituiu todos os vice-líderes do partido ligados a Bivar.

Em outra face da retaliação ao grupo bolsonarista, a Executiva deve propor a retirada de Eduardo da presidência do PSL em São Paulo.

“O mandato dele como presidente estadual termina em 31 de dezembro. Eu vou defender que se resolva essa questão já. Porque o que eles não destruíram até agora vão destruir. O partido teve já mais de uma centena de executivas municipais que foram arrancadas no rancor, no ódio, sem fazer uma avaliação mínima. O partido está uma verdadeira terra arrasada”, afirmou Olimpio.

Eduardo assumiu o diretório de São Paulo no início de junho, no lugar de Olimpio. O senador diz não querer o cargo de volta, mas que é preciso mudar o diretório já.

“Do jeito que está é terra arrasada, está nas mãos de gente que não quer construir o partido. Eu vou defender sim que tenha uma solução, seja com intervenção da nacional lá, seja com substituição direta. Já esgarçou a possibilidade de se administrar o partido com o Eduardo e as pessoas que ele colocou lá”, disse.

Olimpio, como outros membros do partido que abriram guerra com o clã Bolsonaro, afirmam que Eduardo não tem liderança e criticam duramente a intervenção do presidente na disputado pelo cargo de líder do partido na Câmara.

“Foi uma questão que acabou ampliando justamente por falta de estratégia política do próprio Palácio do Planalto. Entraram numa disputa interna do partido e envolveram até o próprio presidente. Foi péssimo, foi horrível e o pior da história, gerou uma derrota não para o Eduardo, mas para o próprio Planalto, para o próprio presidente”, avaliou o senador, que, ainda assim, diz defender que Bolsonaro continue no PSL e diz que ele é o “ícone maior” do partido.

O ex-líder da bancada na Câmara Delegado Waldir também criticou a postura do presidente. “É muito amargo, quando você agride o Parlamento, você é o Executivo e agride o Parlamento para assumir uma liderança. Acho que isso não é uma vitória”, disse o ex-líder a jornalistas.

Fonte: Reuters

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