Por que Cleitinho faz questão de ter Falcão como vice na disputa pelo Governo de Minas
Em entrevistas, o senador chegou a afirmar que "só vai" se Falcão estiver ao seu lado.
Embora tenha adiado o anúncio sobre uma eventual candidatura ao Governo de Minas, o senador Cleitinho Azevedo continua repetindo um discurso: se disputar o Palácio Tiradentes, pretende formar uma chapa pura do Republicanos e quer o ex-prefeito de Patos de Minas e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão, como candidato a vice-governador. Em entrevistas, o senador chegou a afirmar que "só vai" se Falcão estiver ao seu lado.
A preferência não é por acaso. Nos bastidores, aliados apontam que a escolha reúne fatores políticos, administrativos e pessoais que fazem de Falcão um nome estratégico para o projeto de Cleitinho.
O primeiro deles é a relação de confiança construída entre os dois. Desde que se aproximaram politicamente, Cleitinho e Falcão passaram a defender um discurso semelhante, baseado no fortalecimento dos municípios, na redução da burocracia e na aproximação do governo estadual com o interior. O próprio senador já afirmou que teria "honra" em ter Falcão como vice e destacou sua experiência junto aos prefeitos mineiros.
Outro fator é o perfil de gestão. Cleitinho construiu sua trajetória principalmente no Legislativo, enquanto Falcão ganhou notoriedade pela experiência no Executivo. Ele foi eleito prefeito de Patos de Minas em 2020 e reeleito em 2024 com votação expressiva.
Durante a administração, adotou um modelo de composição do secretariado baseado em critérios técnicos e currículos, em vez de indicações políticas. O mandato também foi marcado por desafios como a pandemia da Covid-19 e enchentes que atingiram o município.
Mesmo diante desse cenário, a gestão entregou obras e programas em diversas áreas. Entre elas estão a implantação da Santa Casa de Misericórdia, ampliação da rede municipal de ensino com novas escolas e creches, pavimentação de estradas rurais, investimentos em infraestrutura urbana, fortalecimento do sistema de videomonitoramento "Olho Vivo" e parcerias com a iniciativa privada para manutenção e revitalização de praças e espaços públicos.
Outro diferencial apontado por aliados é a capacidade de diálogo com os municípios. Como presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Falcão percorreu praticamente todas as regiões do Estado defendendo pautas municipalistas, como o fortalecimento das prefeituras, maior autonomia administrativa e uma distribuição mais equilibrada dos recursos públicos. Essa atuação ampliou sua rede de relacionamento entre prefeitos e lideranças do interior, característica frequentemente destacada por Cleitinho.
Também pesa na avaliação política o desempenho eleitoral. Falcão foi reeleito prefeito com ampla votação e deixou a administração com índices elevados de aprovação, números frequentemente citados por apoiadores como demonstração da aceitação popular de sua gestão.
A escolha também representa um equilíbrio dentro da chapa. Enquanto Cleitinho tem forte identificação popular e experiência parlamentar, Falcão agrega vivência administrativa, conhecimento da máquina pública e trânsito entre prefeitos, combinação que, na avaliação do grupo político, fortalece um eventual projeto de governo para Minas Gerais.
Apesar das declarações públicas e da afinidade entre os dois, a definição da candidatura de Cleitinho ainda não foi oficializada. O senador vem adiando o anúncio e por último disse que só irá se manifestar nas convenções de agosto. Até lá, o nome de Luís Eduardo Falcão continua sendo tratado pelo próprio parlamentar como sua primeira opção de candidato a vice-governador.