Pais de aluno que fizeram ataques a professor nas redes sociais vão responder na Justiça em Patos de Minas

O caso teve início após uma aula com debate político e ganhou grande repercussão nas redes sociais.

Tanto o pai quanto a mãe de um aluno da rede estadual de ensino de Patos de Minas foram indiciados e deverão responder na Justiça após realizar uma série de ataques contra um professor de sociologia. O caso teve início após uma aula com debate político e ganhou grande repercussão nas redes sociais.

De acordo com as investigações da Polícia Civil de Minas Gerais, o episódio ocorreu em fevereiro de 2025, quando o professor conduziu uma discussão em sala sobre economia e os governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro. Durante o debate, o docente teria feito uma declaração que motivou a reação dos pais: “se Bolsonaro for preso, vou soltar foguete”, teria dito ele.

Segundo o inquérito, após o ocorrido, os pais do aluno passaram a publicar uma série de ofensas contra o professor nas redes sociais Instagram e Threads. Segundo apurado, foram cerca de 50 postagens com xingamentos e acusações direcionadas ao educador como, “praga”, “ser desprezível sem valores”, “meliante”, “ordinário que mancha a classe” e “sua atitude como professor é repugnante”, entre outras expressões.

Além das expressões ofensivas e de baixo calão, eles também teriam afirmado que o professor expulsou um aluno da sala por discordar de sua opinião. O docente, por sua vez, apresentou à polícia registros das publicações e relatou ter passado a temer por sua integridade física diante da escalada das mensagens.

Inicialmente, o caso foi encaminhado ao Juizado Especial Criminal. No entanto, o Ministério Público entendeu que as condutas se enquadram nos crimes de difamação e injúria, com agravante pelo uso das redes sociais, o que aumenta a pena.

Com isso, o processo deixou de ser analisado no Juizado Especial e passou para a Justiça Comum. Segundo o entendimento do Ministério Público, por se tratar de crime contra a honra cometido contra servidor público no exercício da função, a ação pode ser proposta tanto pela vítima quanto pelo próprio órgão.

O caso segue em tramitação na Justiça, e uma audiência já foi marcada para dar continuidade ao processo.

Além do casal, uma terceira pessoa envolvida também foi indiciada por incitação ao crime.

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