Mãe denuncia bullying e diz que filho autista não recebeu apoio durante momento de crise em escola de Patos de Minas

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais negou as acusações.


Uma cabeleireira de 26 anos procurou a reportagem do Patos Hoje e denunciou que o filho, de cinco anos, está fora da escola há mais de uma semana após sofrer bullying dos colegas e falta de suporte adequado em uma escola estadual de Patos de Minas. O garoto teria sido transferido sem consentimento da mãe, porém não conseguiu vaga em outra escola. A criança possui diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), além de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e Transtorno Opositivo Desafiador (TOD). Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais negou as acusações.

Segundo Maria Eduarda, mãe do garoto, ele foi diagnosticado com autismo aos três anos e necessita de acompanhamento constante, inclusive com recomendação médica para a presença de professor de apoio em sala de aula. No entanto, ela afirma que o suporte nunca foi disponibilizado.

De acordo com a mãe, neste ano, que é o primeiro dele na escola, o garoto passou a apresentar crises frequentes e dificuldades no ambiente escolar, além episódios de discriminação por parte de colegas. Outros alunos teriam inclusive pegado o abafador, acessório que o menino precisa utilizar com frequência. Ele estava matriculado na Escola Estadual Monsenhor Fleury.

A mãe também relatou que era acionada constantemente pela escola para buscar o filho, o que acabou prejudicando sua rotina de trabalho. Mãe solo, ela contou que depende do serviço para sustentar a casa e custear o tratamento da criança.

Um dos episódios mais críticos ocorreu no dia 16 de março, quando o menino teria entrado em crise dentro da sala de aula. A mãe foi informada que o garoto revirou as carteiras e corria risco de se machucar. O menino não teria sido amparado no ambiente escolar.

No dia seguinte, a escola teria ligado informando à mãe que houve um agravamento da situação, com relatos de danos materiais e agressões a colegas e a uma professora. No entanto, segundo ela, não foram apresentados registros ou imagens que comprovassem o ocorrido. No dia, o Conselho Tutelar teria sido acionado.

Quando a mãe chegou na escola, foi informada que o aluno seria transferido para a Escola Estadual Padre Almir Neves. Ao procurar outra instituição, teria sido negado o direito do garoto de ser matriculado na escola.

Após os episódios, a criança está a mais de uma semana sem frequentar a escola. Desde então, a mãe afirma enfrentar dificuldades para conseguir uma nova vaga, mesmo apresentando os laudos médicos. A mãe ainda não conseguiu voltar a trabalhar por precisar ficar cuidando do filho.

O Patos Hoje procurou a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais que se pronunciou por meio da seguinte nota:

“A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) esclarece que não procede a falta de assistência ao referido aluno na Escola Estadual Monsenhor Fleury, em Patos de Minas, assim como são inverídicas as informações sobre a recusa à matrícula do estudante na Escola Estadual Padre Almir Neves.

A Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Patos de Minas, responsável pela coordenação das escolas, já havia contratado um Professor de Apoio à Comunicação, Linguagem e Tecnologias Assistivas para acompanhar o aluno na Escola Estadual Monsenhor Fleury. O Conselho Tutelar do município, no entanto, orientou pela transferência do estudante para a Escola Estadual Padre Almir Neves.

A família do estudante foi recebida na nova instituição de ensino, porém, a responsável se recusou a efetivar a matrícula na escola e desistiu da vaga que havia sido ofertada. Desta forma, o Conselho Tutelar será informado da situação para a adoção das devidas providências.

Reiteramos que, para garantir a inclusão dos estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras deficiências, são disponibilizados os Atendimentos Educacionais Especializados, que atuam de forma dedicada para promover um ambiente educacional adequado e inclusivo.

É importante destacar que todos os estudantes com diagnóstico, conforme estabelecido pela resolução vigente, que necessitam de Atendimento Educacional Especializado (AEE) na rede estadual de ensino são encaminhados para a "Sala de Recursos", onde recebem o apoio necessário. Cada estudante é avaliado pedagogicamente pelas equipes pedagógicas das escolas, com o objetivo de identificar o melhor atendimento e as estratégias mais adequadas.

A Secretaria de Educação reafirma seu compromisso com a inclusão e com a qualidade do atendimento educacional aos estudantes com necessidades especiais, buscando sempre aprimorar as condições para a construção de uma educação inclusiva e acessível em todo o estado de Minas Gerais”.

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