Comerciante registra cena impressionante de cágada desovando na Lagoa Grande em Patos de Minas
Apesar do registro ser raro, a desova é bastante comum no cartão-postal, onde vários animais da espécie vivem.
Uma cena impressionante chamou a atenção de um leitor do Patos Hoje que passava pela Orla da Lagoa Grande, em Patos de Minas, na tarde de terça-feira (12). Uma cágada foi flagrada desovando às margens da lagoa, em um barranco entre a água e a pista de caminhada. Apesar do registro ser raro, a desova é bastante comum no cartão-postal, onde vários animais da espécie vivem.
Quem filmou a cena foi o comerciante Erivelton Alves. Ele contou que caminhava pela orla da lagoa, por volta das 16h30, quando percebeu o animal próximo à margem. Surpreso com a situação, ele pegou o celular e começou a gravar.
Erivelton disse que nunca havia presenciado uma cena parecida antes. O vídeo mostra a fêmea realizando a desova no barranco, enquanto coloca diversos ovos no local. A quantidade também chamou a atenção do comerciante. Segundo ele, foram pelo menos 15 ovos deixados pelo réptil.
De acordo com o biólogo e pedagogo Saulo Gonçalves, o animal é conhecido popularmente como “cágado-de-barbicha”. A espécie é bastante comum na região e possui grande capacidade de adaptação a ambientes urbanos, como é o caso da Lagoa Grande. Uma característica marcante do cágado é o pescoço longo e duas pequenas protuberâncias na região da boca, semelhantes a barbichas, o que originou o nome popular da espécie.
Segundo Saulo, o animal possui hábitos semiaquáticos, vivendo tanto na água quanto em áreas terrestres. Ele destacou ainda a importância ecológica da espécie para o equilíbrio ambiental, já que o réptil se alimenta de insetos, moluscos, peixes, restos de animais e matéria orgânica, ajudando na limpeza e manutenção do ecossistema.
Ao analisar as imagens, o biólogo observou que a fêmea saiu da água para colocar os ovos em um local seco e protegido, comportamento natural da espécie. Ela cava um buraco e realiza a postura longe do nível da água. A expectativa, segundo o profissional, é de que os ovos eclodam em cerca de 20 dias. Os filhotes já nascem independentes e seguem sozinhos em direção à água.
O biólogo reforçou ainda que a população não deve mexer nos ovos nem tentar capturar os animais. Apesar de serem inofensivos e não oferecerem risco às pessoas, fora da água eles ficam mais vulneráveis.
Saulo também chamou atenção para um detalhe percebido no animal filmado. De acordo com ele, o casco apresentava sinais de um possível acidente, algo relativamente comum na região da Lagoa Grande, onde alguns animais acabam sendo atropelados ao atravessar ruas próximas.
Por fim, Saulo destacou que os cágados estão bem adaptados ao ambiente da Lagoa Grande, onde encontram alimento e condições adequadas para sobrevivência. Ele também alertou que animais silvestres não devem ser consumidos devido ao risco de transmissão de doenças.