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Associações médicas lançam protocolo para selecionar pacientes que irão para a UTI

Objetivo é reduzir o maior número de mortes possível, diz AMB

A Associação Médica Brasileira lançou hoje (9), junto com outras entidades que representam profissionais de diversas especialidades, um protocolo de recomendações para triagem de pacientes em cenário de crise em unidades de terapia intensiva (UTIs). São critérios para que os médicos possam definir da melhor forma possível como usar os recursos cada fez mais escassos na pandemia de covid-19 para tratar pacientes em estado crítico.

O presidente da AMB, César Fernandes, disse que o principal objetivo é sempre “reduzir o maior número de mortes possível”. O documento enfatiza que foi feita uma sistematização para estabelecer critérios éticos, técnicos e transparentes para os profissionais poderem decidir como usar os recursos em um cenário que faltam leitos em UTI.

Critérios

Uma das responsáveis por elaborar os protocolos, a médica intensivista Lara Kretzer, explicou que entre os critérios para decidir entre os pacientes que vão receber o tratamento intensivo está a possibilidade de recuperação. Ou seja, aquele paciente que tiver mais chances de sobreviver à doença e aos métodos de tratamento terá prioridade. É levada em consideração também a gravidade dos quadros de saúde e doenças em estágio avançado que possam reduzir as possibilidades de sobrevivência. A idade não faz parte dos critérios de decisão.

Os pacientes que não tiverem prioridade em casos onde há falta de recursos, segundo os protocolos, devem continuar a receber os tratamentos disponíveis, inclusive aqueles que tragam conforto caso a morte seja inevitável.

As decisões devem, de acordo com as recomendações, serem anotadas nos prontuários de forma transparente.

O documento foi elaborado não só a partir das bases científicas sobre o tema, como também apresenta o embasamento legal disponível sobre o assunto.

O presidente da AMB destacou que as recomendações não são de adoção obrigatória, mas pretendem ajudar e salvaguardar os médicos que precisarem tomar essas decisões. “Vai haver um acolhimento quase universal dos serviços de terapia intensiva”, disse Fernandes.

As recomendações vem em um período visto como crítico pelas entidades. “Atingimos um patamar em que o atendimento à população não é adequado, digno e não chega a todos, como a gente vê nessas filas”, ressaltou a presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira, Suzana Lobo.

Também assinam as recomendações a Associação Brasileira de Medicina de Emergência; a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e a Academia Nacional de Cuidados Paliativos.

Fonte: Agência Brasil

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