Suspeito de fraude é preso durante entrevista ao vivo à Rádio Itatiaia

O convidado já estava no estúdio quando foi preso por dois policiais civis

A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu nesta terça-feira o marido de uma vereadora no momento em que ele ia conceder entrevista ao programa “Chamada Geral”, do jornalista Eduardo Costa, veiculado pela Rádio Itatiaia. Logo que abriu o programa, Costa começou a narrar que dois policiais civis invadiram o estúdio da emissora para levar Armando Júnior Pereira da Cruz. O homem é casado com a vereadora Flávia de Oliveira Silva, de Confins, na Região Metropolitana. “Eu quero comunicar aos senhores que, neste momento, dois policiais civis estão no estúdio da Rádio Itatiaia para prender o Armando, marido da vereadora de Confins. Até aqui, respeitosamente, estou resistindo e dizendo a eles que não acho crível, lógico e correto que invadam o estúdio da maior emissora de Minas para fazer uma prisão. Poderiam ter no mínimo a delicadeza de esperar na portaria do estúdio, como eu pedi, mais ainda na porta da rádio”, disse.

Ainda durante a transmissão, o jornalista tentou argumentar dizendo que os policiais não poderiam invadir o local, já que não teriam mandado. Eduardo Costa classificou como “falta de respeito” a atitude dos policiais e clamou pelo chefe da Polícia Civil, Oliveira Santiago Maciel, Marco Antônio Romaneli, secretário de Defesa Social e até o governador Alberto Pinto Coelho (PP). “Estão levando o moço preso neste momento, arrastado de dentro do estúdio da radio da minas. Ai nos vamos ver as consequências jurídicas. A prisão se consolidou, levaram o Armando.”, narrou.

Desde o início da manhã, a Polícia Civil de Minas Gerais cumpre 24 mandados de apreensão em Belo Horizonte e outros quatros municípios da Grande BH e Região Central do estado – Confins, Vespasiano, Santa Luzia e Sete Lagoas-, em busca de provas contra quadrilha suspeita de fraudes em licitações, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e corrupção. Mandados de prisão preventiva e temporárias também foram expedidas pela Justiça contra os supostos envolvidos. Segundo informou no final da manhã desta terça-feira a Delegacia Regional de Confins, seis suspeitos foram presos sob suspeita de envolvimento nas fraudes.  As prisões e apreensões fazem parte da Operação Lavagem III.

No mês passado, o delegado que comanda as investigações, Jonas Tomazi, informou que as diligências naquela ocasião envolviam o presidente da Câmara Municipal de Confins, o vereador Aladir José Pessoa de Souza, em fraudes na cidade. Nesta terça-feira, o pai do vereador, Aladir de Souza, também foi preso, junto com empresários e funcionários públicos de Confins: Leonardo Gomes de Araújo, Michel Joanta Caires, Fernanda Carvalho Marques, Thamires Regina Amérco e a vereadora Fávia renta Oliveira Cruz.

De acordo com a Polícia Civil, o parlamentar e outros três suspeitos foram indiciados por crimes de falsidade ideológica, organização criminosa, concussão, corrupção passiva e fraudes em licitações. Somadas, as penas podem chegar a 37 anos de prisão. Na operação desta terça-feira, a polícia ainda não divulgou novos nomes envolvidos nas ações investigadas.

Em nota, o sindicato dos jornalistas de Minas e dos radialistas repudiaram a ação dos policiais que agiram de forma truculenta, fora dos padrões democráticos, conforme as duas entidades representativas. “O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais e o Sindicato dos Radialistas de Minas repudiam essa truculência em plena democracia. Atitudes como essa são inaceitáveis. A liberdade de imprensa e o exercício livre da profissão são garantias constitucionais que não podem ser desrespeitadas dessa maneira”, afirma o texto. Ainda conforme os sindicatos, os diretores das entidades compareceram a emissora para decidir as medidas cabíveis.

Segundo o diretor-presidente da Rádio Itatiaia, Emanuel Carneiro, em entrevista ao site da emissora, a situação é inusitada na história da empresa de comunicação. A falta de respeito ao profissional de imprensa está muito acentuada. Esse episódio é pontual porque nós nunca tínhamos assistido a uma invasão de um estúdio por policiais armados para tirar um entrevistado no momento em que ele estava presente em um programa que terminaria dentro de cinco minutos. O apresentador Eduardo Costa pediu um pouquinho de paciência e não foi respeitado”, comentou.

A reportagem tentou falar com o delegado responsável pela operação, Jonas Tomazi, mas foi informada que ele está fechando o balanço das ações e deve falar após o fechamento dos trabalhos no final da tarde. (Com informações de Iracema Amara)

Fonte: Uai

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