Semana da Mulher: PM tem que arrombar porta de apartamento para resgatar mulher que gritava por socorro

Agressor foi preso em flagrante após equipe policial arrombar a porta do apartamento para cessar as violências

A menos de 48 horas do Dia Internacional da Mulher, data que simboliza a luta por igualdade e pelo fim da violência de gênero, a Polícia Militar foi acionada na madrugada desta sexta-feira (06) para resgatar uma mulher em situação de violência doméstica no Bairro Planalto. A vítima foi agredida com socos, teve a cabeça batida contra a parede e foi mordida pelo companheiro dentro do próprio banheiro. Os policiais tiveram que arrombar a porta para resgatar a vítima.

De acordo com informações da Polícia Militar, o crime aconteceu por volta das 2h30 em um apartamento no Bairro Planalto. Segundo o registro policial, o acusado teria agredido a companheira após uma discussão motivada por ciúmes.

A Polícia Militar foi acionada via COPOM após diversas ligações de moradores do Condomínio, que relataram gritos de socorro vindos do imóvel. Ao chegar ao local, a guarnição tentou contato com os moradores por diversas vezes, mas não obteve resposta. Durante as tentativas, os policiais ouviram barulhos no interior do apartamento, indicando a presença de alguém.

Diante da fundada suspeita de que uma mulher poderia estar em situação de violência e ferida, a equipe, com o apoio do CPU, precisou arrombar a porta de entrada com um equipamento chamado "Arite" para conseguir entrar no imóvel e cessar o crime.

Ao adentrarem o apartamento, os militares foram recebidos pela vítima, que estava bastante assustada e com sinais de abalo emocional. Em seguida, o suspeito também se aproximou e foi algemado.

Em relato aos policiais, a mulher contou que foi agredida com socos na cabeça dentro do banheiro, teve o crânio batido diversas vezes contra a parede e foi mordida no braço direito. Ela também informou que, durante as agressões, o companheiro proferiu diversas ameaças de morte. Ao perceber a chegada da polícia, o homem a ameaçou novamente, ordenando que ela ficasse em silêncio e não abrisse a porta, o que justificou a demora para o atendimento da equipe.

A vítima apresentava hematomas no couro cabeludo, inchaço na nuca e uma lesão no braço direito decorrente da mordida. Ela recusou atendimento médico no local.

Durante o atendimento, a vítima preencheu o Formulário Nacional de Avaliação de Risco, onde revelou um histórico preocupante de violência. Ela afirmou que o agressor já a havia ameaçado e agredido em outras datas, além de ter quebrado seu aparelho celular anteriormente.

No formulário, a mulher indicou que já sofreu diversas agressões físicas, como enforcamento, estrangulamento, socos, tapas, chutes e puxões de cabelo, e que já chegou a precisar de atendimento médico em ocasiões passadas. Ela também relatou que o companheiro a persegue, demonstra ciúme excessivo e tenta controlar sua vida. Um dos comportamentos do agressor, segundo a vítima, foi a frase: "Se não for minha, não será de mais ninguém".

A vítima já havia registrado ocorrência policial contra o agressor em outro momento. O autor faz uso abusivo de álcool, de acordo com o relato da mulher.

Questionado, o acusado disse que a vítima teria ido ao seu local de trabalho e o perturbado, e que durante o trajeto para casa e já no imóvel, ela o teria agredido, e ele revidou para se defender. Ele também apresentava ferimentos nos braços. Indagado sobre o motivo de não ter aberto a porta para a polícia, ele disse que a companheira o orientou a não fazê-lo.

Ele foi preso em flagrante e conduzido à delegacia. Ele possui sinal de embriaguez (hálito etílico) anotado no BO. A porta do apartamento ficou danificada devido ao arrombamento. O caso foi registrado como lesão corporal e ameaça no contexto de violência doméstica. O agressor foi apresentado na Delegacia de Polícia Civil de Patos de Minas para as providências legais.

O crime ocorre a apenas dois dias do 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, data que neste ano deve ser marcada por reflexões sobre a persistência dos altos índices de violência doméstica no país.

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