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Programa Família Acolhedora já atende duas crianças em Patos de Minas e busca novos participantes

Os interessados podem buscar mais informações por meio do WhatsApp (34) 99671-3713.

Crianças que precisam ser afastadas temporariamente de suas famílias de origem podem receber acolhimento em um ambiente familiar em Patos de Minas. Esse é o objetivo do Programa Família Acolhedora, desenvolvido pela Associação Entre Laços. Atualmente, três famílias estão cadastradas e duas crianças são atendidas pelo serviço no município. Para apresentar o trabalho e incentivar a participação de novos interessados, inclusive a adesão de cidades vizinhas, a associação promoveu, nesta sexta-feira (06), o evento “Acolher em Família, Proteger em Rede”, com palestras e discussões sobre o tema.

De acordo com a psicóloga da Associação Entre Laços, Amanda Correia, o serviço permite que crianças em situação de vulnerabilidade ou risco sejam acolhidas temporariamente por famílias previamente capacitadas e habilitadas pela Justiça. Diferentemente do acolhimento institucional, em que a criança permanece em uma instituição, a modalidade oferece a oportunidade de receber cuidados individualizados dentro de uma residência.

A psicóloga explicou que, em Patos de Minas, o serviço atende crianças de zero a seis anos, faixa etária que corresponde à primeira infância. Segundo ela, esse período exige atenção especial, já que é marcado por importantes etapas do desenvolvimento físico, motor e emocional. A associação iniciou as atividades em maio deste ano e realizou a primeira capacitação de famílias em agosto. Uma nova formação está prevista para dezembro.

Amanda também esclareceu que o acolhimento familiar não deve ser confundido com a adoção. Enquanto a adoção estabelece um vínculo definitivo, a família acolhedora recebe a criança por um período temporário, até que sua situação seja definida pela Justiça. O objetivo é possibilitar o retorno à família de origem ou extensa e, quando isso não for possível, o encaminhamento para adoção.

O juiz da 1ª Vara Criminal e da Infância e Juventude de Patos de Minas, Denes Marcos Vieira, destacou a importância do serviço para crianças que precisam ser afastadas de situações de violência ou outras circunstâncias que coloquem seus direitos em risco. Segundo ele, o acolhimento familiar permite que elas vivenciem uma rotina de cuidados e convivência familiar, criando vínculos afetivos durante esse período de proteção.

O magistrado definiu o trabalho das famílias acolhedoras como uma ponte entre a dor e a esperança. Ele explicou que, durante o acolhimento, a rede de proteção trabalha para buscar uma solução definitiva para a criança, priorizando, sempre que possível, a reintegração familiar. O juiz também incentivou a população a conhecer o serviço e destacou que a experiência pode ser transformadora tanto para quem recebe quanto para quem é acolhido.

Uma das famílias que decidiram participar do serviço é formada por Erick Basílio e a esposa, Claudiene Basílio. O casal, que já tem dois filhos adolescentes, de 13 e 16 anos, recebeu temporariamente em casa uma criança de três anos e meio. A iniciativa partiu de Claudiene, que conheceu o projeto e conversou com o marido sobre a possibilidade de participar.

Erick contou que a chegada da criança transformou a rotina da casa. Segundo ele, apesar dos desafios e da necessidade de cuidados especiais, a experiência trouxe mudanças positivas para toda a família. O acolhimento também passou a envolver os dois filhos adolescentes, que participam dos cuidados com a criança.

Claudiene destacou que a experiência trouxe mais união e sensibilidade para a convivência familiar. Ela reconheceu que o vínculo afetivo é inevitável e que a despedida pode ser difícil, mas ressaltou a importância de compreender que o acolhimento é temporário. Para ela, o mais importante é oferecer carinho, proteção e cuidado no momento em que a criança precisa, sabendo que outras também poderão necessitar desse apoio futuramente.

A coordenadora da Associação Entrelaços, Juliette Amorim, explicou que a entidade surgiu a partir da reorganização de um grupo de apoio à adoção. De acordo com ela, a implantação do Programa Família Acolhedora no município começou a ser discutida em 2020, após uma ação civil pública e a formalização de um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público. O serviço foi inaugurado oficialmente em maio de 2026. Além do acolhimento familiar, a associação também oferece apoio a pessoas que pretendem adotar e a famílias que já passaram pelo processo de adoção.


Como se tornar uma família acolhedora

Os moradores de Patos de Minas interessados em participar do serviço devem procurar a Associação Entre Laços. Entre os requisitos estão ter mais de 24 anos, residir no município há pelo menos dois anos, apresentar a documentação exigida e não estar inscrito no Sistema Nacional de Adoção. Não é necessário ser casado ou viver em união estável, já que pessoas solteiras também podem participar.

Após a inscrição, os interessados passam por avaliação da equipe técnica, visitas e entrevistas. Os candidatos aprovados participam de uma capacitação composta por quatro encontros e, posteriormente, são habilitados pela Justiça para receber uma criança.

Os interessados podem buscar mais informações por meio do WhatsApp (34) 99671-3713. A entidade pretende realizar uma nova capacitação em dezembro, ampliando o número de famílias disponíveis para oferecer acolhimento temporário a crianças que precisam de proteção.

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