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Nem cometa nem meteorito: astrônomo explica bola de fogo que cruzou os céus de Patos de Minas

O fenômeno foi registrado em vídeo e despertou a curiosidade de quem presenciou a cena.

Uma bola de fogo que cruzou os céus de Patos de Minas neste final de semana chamou a atenção de moradores e rapidamente ganhou as redes sociais. O fenômeno foi registrado em vídeo e despertou a curiosidade de quem presenciou a cena.

A coloração intensa e o formato observado fizeram surgir várias hipóteses. Enquanto algumas pessoas imaginaram que poderia se tratar de um cometa, outras chegaram a pensar na possibilidade de um meteorito atravessando a atmosfera.

Mas, segundo o físico e astrônomo Luiz André, integrante da Associação de Astronomia, a explicação é bem mais simples: o que chamou a atenção no céu foi o efeito da luz do pôr do sol sobre as estrias deixadas por um avião.

De acordo com o especialista, a tonalidade alaranjada não indica que o objeto esteja em chamas. O fenômeno está relacionado à forma como a luz solar atravessa a atmosfera no fim da tarde.

"O tom laranja acontece por causa do Espalhamento Rayleigh: no fim da tarde, a luz do Sol atravessa uma camada muito maior de atmosfera, o que 'filtra' a luz azul e deixa passar só os comprimentos de onda mais longos (amarelo, laranja e vermelho). Além disso, nesta época de estiagem, a poeira e a fuligem no ar intensificam ainda mais essas cores. As estrias de avião só refletem essa iluminação que já está laranja", explicou Luiz André.

O chamado Espalhamento Rayleigh ocorre quando a luz solar interage com as moléculas presentes na atmosfera. Como a luz azul é mais espalhada, os tons amarelos, laranjas e vermelhos se tornam predominantes quando o Sol está próximo do horizonte.

A estiagem também contribui para deixar o efeito ainda mais evidente. A presença de poeira e partículas em suspensão na atmosfera pode intensificar as cores observadas no céu.

Assim, apesar da aparência impressionante e das imagens que circularam nas redes sociais, a “bola de fogo” vista em Patos de Minas não era um cometa ou meteorito, mas um efeito de iluminação produzido pelo pôr do sol sobre uma trilha de avião.

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