Minas Inédita: conheça o assentamento que tem cooperativa própria e prevê safra de 22 mil sacas de café
No segundo roteiro pelo Programa Minas Inédita, conhecemos o Assentamento Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio, onde o café se tornou símbolo de trabalho, cooperação e transformação social.
Quando se fala em Minas Gerais, é impossível não pensar em café. O estado lidera a produção mundial do grão e mais da metade dessa riqueza vem do Sul de Minas. Foi justamente nessa região que nossa equipe encontrou uma história que vai muito além da cafeicultura. No segundo roteiro pelo Programa Minas Inédita, conhecemos o Assentamento Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio, onde o café se tornou símbolo de trabalho, cooperação e transformação social.
A história começou há quase 30 anos. Em novembro de 1996, trabalhadores rurais iniciaram a ocupação de uma fazenda após uma greve frustrada por melhores condições de trabalho. A luta pela terra deu origem ao que hoje é o complexo de assentamentos Quilombo Campo Grande. Após décadas de disputas judiciais, a área foi recentemente reconhecida pelo Governo Federal, garantindo segurança para cerca de 500 famílias que vivem e produzem no local.
Atualmente, o assentamento ocupa uma área de aproximadamente 3.200 hectares, onde são cultivados cerca de 3,5 milhões de pés de café, com expectativa de produção de 22 mil sacas nesta safra.
Mas o que realmente chama a atenção é a forma como esse café é produzido.
Por meio da Cooperativa dos Camponeses Sul-Mineiros (Camponesa), fundada em 2012, centenas de famílias adotaram práticas agroecológicas e reduziram o uso de produtos químicos nas lavouras. A cooperativa oferece assistência técnica, incentiva a produção de insumos naturais e comercializa não apenas café, mas também açúcar mascavo, feijão, própolis, fitoterápicos, sabonetes e diversos produtos da agricultura familiar.
O café produzido ali ganhou identidade própria. Comercializado com a marca Guaií, nome que significa "semente boa" na língua guarani, o produto já conquistou consumidores dentro e fora do Brasil e chegou até a ser exportado.
Durante a visita, conhecemos a propriedade do agricultor Hederson, um dos produtores que apostam na agroecologia. Em sua lavoura, o café cresce sem agrotóxicos e já alcança pontuação de café especial, reconhecimento concedido aos grãos de alta qualidade.
Mesmo comemorando os resultados, Hederson acredita que ainda há espaço para evoluir. Um dos desafios é melhorar a estrutura para a secagem dos grãos. Hoje, o processo ainda é feito sobre lonas instaladas em um terreiro de terra, mas a expectativa é concretar o espaço para elevar ainda mais a qualidade do produto.
Outro avanço importante é a criação da Escola de Agroecologia, inaugurada há dois anos dentro do assentamento. Segundo o sócio-fundador da Cooperativa Camponesa, Roberto Carlos Nascimento, o espaço vai muito além da educação básica.
A escola funciona como um centro de formação, pesquisa e troca de conhecimentos, recebendo estudantes, universidades e pesquisadores interessados em desenvolver experiências voltadas para a agroecologia e a agricultura familiar.
Mais do que produzir café, o Quilombo Campo Grande produz conhecimento, gera renda e fortalece a economia de Campo do Meio. O assentamento, que nasceu da luta pela terra, hoje é visto como exemplo de organização coletiva, sustentabilidade e desenvolvimento para outras comunidades rurais do Brasil.
Nossa equipe acompanhou de perto a rotina dos produtores, conheceu as lavouras e mostrou em vídeo como o café especial cultivado sem agrotóxicos está ajudando a escrever um novo capítulo na história dessas famílias e do Sul de Minas.