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Marcelo Odebrecht diz ao TSE que pagou caixa 2 a campanha de Dilma e que Temer não tratou de valores para doação

Ainda no depoimento, Mantega pediu a Odebrecht que pagasse uma dívida com João Santana, sem especificar se eram dívidas de campanha, o que foi feito.

O empresário Marcelo Odebrecht confirmou nesta quarta-feira à Justiça Eleitoral o pagamento do publicitário João Santana, responsável pela campanha de Dilma Rousseff à presidência em 2014, com recursos de caixa dois acertados com o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou à Reuters uma fonte que teve acesso à trechos das declarações dadas nesta quarta-feira.

Ao final de seu depoimento, Marcelo Odebrecht afirmou que não tinha como dizer "com certeza" se Dilma e Temer sabiam das negociações e de "qualquer ilicitude nas doações".

As declarações foram prestadas em Curitiba à Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral no processo em que o PSDB pede a cassação da chapa Dilma-Temer na eleição presidencial de 2014.

O ex-presidente da Odebrecht, que firmou acordo de delação premiada com a Lava Jato, afirmou, segundo trechos do depoimento repassados à Reuters, que o governo petista, ainda na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teria negociado com a empresa duas "contrapartidas" por uma medida provisória negociada por Mantega ainda em 2009 e que beneficiaria a empresa.

Os recursos não teriam sido usados na campanha de 2010 e teriam ficado como um crédito para uso posterior no valor de 50 milhões de reais.

Em 2013, Mantega teria negociado um apoio "espontâneo" à campanha de 2014 e que os valores totais, somados todos os créditos, seriam de 300 milhões de reais, para serem usados em caixa dois. Marcelo Odebrecht negou que os recursos fossem propina para que a empreiteira conseguisse negócios ou obras com o governo.

Ainda no depoimento, Mantega pediu a Odebrecht que pagasse uma dívida com João Santana, sem especificar se eram dívidas de campanha, o que foi feito. O empresário alega não lembrar o valor exato, mas afirmou que se tratava de algo entre 20 e 40 milhões de reais em pagamentos "não oficiais", ou seja, caixa dois.

Fonte: Agência Reuters

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