Mamoré pede eliminação do Uberlândia após briga generalizada que terminou com 51 expulsões no Sub-20
Mamoré chega ao jogo de volta com a vantagem construída pela vitória por 3 a 1, mas ainda aguarda os desdobramentos das punições registradas pela arbitragem.
O Mamoré venceu o Uberlândia por 3 a 1, no último domingo (1º), pelo jogo de ida da semifinal da Segunda Divisão do Campeonato Mineiro Sub-20. No entanto, a importante vitória da equipe de Patos de Minas acabou ficando em segundo plano. Uma confusão terminou em briga generalizada, com 51 expulsões entre jogadores e integrantes das comissões técnicas. Agora, o Mamoré tenta reverter parte das punições e pede a eliminação do Uberlândia da competição.
A partida foi disputada no Estádio Parque do Sabiá, em Uberlândia. Com a bola rolando, a equipe da casa abriu o placar aos 19 minutos, com Pedro Henrique. O Mamoré criou oportunidades e conseguiu o empate aos 33 minutos, com Arthur Bessa. Aos 43, o zagueiro Vitor marcou o gol da virada. Assim, a equipe de Patos de Minas foi para o intervalo vencendo por 2 a 1.
No início do segundo tempo, o Mamoré ficou com um jogador a mais em campo, após um atleta do Uberlândia ser expulso por atingir um adversário com o braço, fora da disputa de bola. A primeira confusão começou a partir daí. Conforme a súmula da partida, dirigentes da equipe mandante invadiram o gramado e passaram a pressionar a arbitragem para que a decisão fosse revertida. O árbitro Fernando Patrick Drosghic Modesto relatou ameaças e ofensas. A partida ficou paralisada por aproximadamente 40 minutos.
Aos 22 minutos, outra situação terminou com duas expulsões. De acordo com a súmula, o goleiro do Mamoré deixou sua área e foi em direção ao árbitro, “de forma acintosa”, reclamando que havia recebido um soco. O juiz expulsou o goleiro e, em seguida, foi informado por um dos assistentes de que a agressão realmente havia ocorrido. Diante disso, o jogador do Uberlândia responsável pelo soco também foi expulso.
A situação se agravou aos 54 minutos do segundo tempo, após João Vitor marcar o terceiro gol do Mamoré. Segundo a súmula, outro atleta da equipe de Patos de Minas fez gestos provocativos em direção ao banco de reservas do Uberlândia. Na sequência, um integrante da comissão técnica da equipe mandante invadiu o gramado e empurrou o jogador, dando início à briga generalizada.
O árbitro relatou que jogadores e integrantes das comissões técnicas trocaram socos e pontapés. Segundo a súmula, até mesmo gandulas participaram da confusão, agredindo atletas e arremessando objetos contra integrantes do Mamoré. Diante da falta de segurança, a arbitragem encerrou a partida sem realizar o protocolo habitual. O documento também registra a elaboração de um boletim de ocorrência devido às ameaças sofridas pelo árbitro principal.
Ao todo, a arbitragem registrou 51 expulsões, sendo 43 jogadores e oito integrantes das comissões técnicas. Desse total, três atletas já haviam sido expulsos antes da briga generalizada, em decorrência de situações ocorridas durante a partida. Os outros 48 registros estão relacionados aos acontecimentos que desencadearam a confusão ou à própria briga. Do total, 21 atletas e quatro membros da comissão técnica do Mamoré receberam vermelho.
A súmula também relata que o diretor de futebol do Uberlândia informou à arbitragem que o vestiário utilizado pelo Mamoré havia sido depredado. Segundo o documento, o dirigente afirmou que seria registrado um boletim de ocorrência pelos danos.
Em entrevista ao Patos Hoje, o vice-presidente do Mamoré, Edson Reis, lamentou o episódio e afirmou que o clube não compactua com a violência. Segundo ele, a equipe vinha realizando um bom trabalho nas categorias de base e conquistou um resultado importante na busca pelo acesso à primeira divisão da competição.
Durante a entrevista, Edson Reis afirmou que houve falhas na segurança do estádio. De acordo com o dirigente, jogadores e integrantes da comissão técnica do Mamoré precisaram reagir para se defender das agressões. O vice-presidente também questionou a quantidade de expulsões registradas na súmula. Para ele, as punições deveriam ter sido individualizadas, considerando a participação de cada envolvido na confusão.
Edson informou que o departamento jurídico do Mamoré está tomando providências para tentar obter efeito suspensivo para alguns jogadores. A partida foi transmitida pelo “Canal Bola & Batom”, e as imagens registradas poderão ser utilizadas pelo clube para fundamentar as medidas jurídicas.
O Mamoré também pretende solicitar a eliminação do Uberlândia da competição, em razão dos acontecimentos registrados na partida. Segundo Edson Reis, a expectativa é obter uma resposta até sexta-feira (6). Caso as medidas não tenham resultado favorável, o Mamoré pretende disputar a partida de volta com os jogadores disponíveis.
Atualmente, conforme o vice-presidente, o clube conta com 11 atletas inscritos em condições de compor o elenco. Outros dois jogadores, que haviam sido liberados por não estarem sendo aproveitados, poderão retornar para reforçar a equipe.
Além das questões jurídicas e esportivas, o Mamoré prepara um esquema especial de segurança para receber o Uberlândia no Estádio Bernardo Rubinger de Queiroz, em Patos de Minas. Edson explicou que o clube pretende adotar os mesmos protocolos utilizados nas partidas do Módulo I do Campeonato Mineiro, incluindo a contratação de seguranças particulares.
A diretoria também está providenciando um ofício para solicitar reforço da Polícia Militar. Outra questão que ainda será definida é a presença de torcedores, já que o clube avalia a possibilidade de realizar a partida com portões abertos ou fechados.
O Mamoré chega ao jogo de volta com a vantagem construída pela vitória por 3 a 1, mas ainda aguarda os desdobramentos das punições registradas pela arbitragem.