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Indústria do Brasil cai menos que o esperado em julho; investimento fraco e incerteza pesam

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, houve alta de 4 por cento, também acima da projeção de avanço de 2 por cento.

A indústria brasileira entrou no terceiro trimestre com contração, ainda que menos intensa que o esperado, pressionada pela fraqueza dos investimentos e evidenciando as incertezas para o setor a poucos meses da eleição presidencial.

Em julho, a produção registrou queda de 0,2 por cento sobre o mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.

Foi o resultado mais fraco para julho desde 2015 (-2,5 por cento), mas melhor que a expectativa em pesquisa da Reuters com economistas de recuo de 1 por cento.

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, houve alta de 4 por cento, também acima da projeção de avanço de 2 por cento e o resultado mais forte para o mês desde 2010 (+9,4 por cento).

“Voltamos a um patamar e um ritmo mais adequado à produção industrial sem influência de um fator pontual para cima ou para baixo”, explicou o economista do IBGE André Macedo, referindo-se à greve dos caminhoneiros que afetou a produção nos meses anteriores.

“Estamos numa recuperação industrial devagar mas que não repõe o passado, seja por fatores internos ou externos. Temos ambiente com queda de exportações para a Argentina, desemprego elevado, nível de confiança baixo e outras coisas”, completou.

O único resultado positivo em julho entre as categorias econômicas e que evitou uma queda maior veio dos Bens Intermediários. Com peso de 55 a 60 por cento na pesquisa, esse grupo cresceu 1 por em julho sobre o mês anterior.

Por outro lado, os dados do IBGE apontaram que os Bens de Capital, uma medida de investimento, contraíram 6,2 por cento no mês em relação a junho.

A fabricação de Bens de consumo semi e não duráveis e de Bens de consumo duráveis também teve contração em julho, respectivamente de 0,5 e 0,4 por cento.

Entre os ramos pesquisados, 10 dos 26 apresentaram queda, com destaque para veículos automotores, reboques e carrocerias (-4,5 por cento) — setor pressionado pela crise Argentina, importadora de veículos brasileiros— e produtos alimentícios (-1,7 por cento).

A economia brasileira vem mostrando ritmo lento de crescimento, com o ambiente de incerteza, seja do lado da atividade, seja do lado político, freando o ímpeto de investimento e de consumo.

No segundo trimestre, a indústria registrou contração de 0,6 por cento, num período abalado pela greve dos caminhoneiros no final de maio, contribuindo para que o Produto Interno Bruto (PIB) do país registrasse crescimento de apenas 0,2 por cento sobre os três meses anteriores.

Na última pesquisa realizada pelo Banco Central com economistas, a expectativa para a expansão da indústria neste ano foi reduzida a 2,43 por cento, de 2,61 por cento, com a estimativa para o PIB em 1,44 por cento.

Fonte: Agência Reuters

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