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Homem que esfaqueou brutalmente a ex-namorada é indiciado por tentativa de feminicídio

Vítima sofreu dez perfurações de faca, lesão no fígado e sinais de esganadura; investigação aponta que agressões começaram dentro da residência e continuaram na rua

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito que investigou uma tentativa de feminicídio ocorrida no dia 14 de setembro de 2026, em uma residência, no bairro Aurélio Caixeta, em Patos de Minas. O investigado foi indiciado pela prática de tentativa de feminicídio. Ele estava exigindo que a vítima lhe entregasse dinheiro.

Segundo a investigação, a vítima relatou que havia retornado para casa durante a madrugada quando percebeu o ex-companheiro do lado de fora, portando um pedaço de cano de ferro. Conforme seu depoimento, ele teria forçado a janela e entrado no imóvel, passando a agredi-la com socos e tapas, além de apertar seu pescoço e jogá-la contra o sofá.

A mulher conseguiu retirar o cano das mãos do agressor e sair para a área externa da residência, mas, ainda segundo seu relato, as agressões continuaram. Ela afirmou que foi atingida por socos e chutes e sofreu novas quedas até que o investigado teria utilizado uma faca.

De acordo com a vítima, o primeiro golpe atingiu a região do ombro. Ela conseguiu correr para a rua em busca de socorro, mas afirmou que continuou sendo perseguida e atingida por golpes de faca enquanto era imobilizada pelo pescoço. A violência teria cessado depois que seus gritos chamaram a atenção de pessoas que estavam nas proximidades.

A vítima permaneceu hospitalizada após o ataque. Em seu depoimento, informou ter sofrido dez perfurações provocadas por faca, além de uma lesão no fígado, escoriações na boca e sinais de esganadura no pescoço. Na ocasião do relatório, o exame de corpo de delito ainda estava sendo confeccionado pela perícia.

Após receber alta, ela deixou temporariamente Patos de Minas por temer pela própria segurança. Segundo as apurações, ela também relatou novas tentativas de contato atribuídas ao investigado depois do crime e apresentou capturas de tela e comprovantes de transferências via Pix que, segundo ela, demonstrariam pagamentos realizados anteriormente ao ex.

Durante as investigações, a vítima relatou que manteve um relacionamento com o acusado entre novembro de 2025 e março de 2026 e que já havia ocorrido episódios anteriores de agressão e destruição de patrimônio. Após o término, segundo ela, o investigado teria passado a persegui-la e a fazer ameaças.

A Polícia Civil também registrou a existência de medida protetiva de urgência vigente em desfavor do investigado no período dos fatos.

Uma amiga da vítima afirmou que havia estado na residência pouco antes das agressões. Ela contou que o acusado havia enviado mensagens para a vítima e que a aconselhou a bloqueá-lo. Depois, foi informada pelo filho da vítima de que a mãe havia sido esfaqueada. Ao chegar ao local, encontrou equipes da Polícia Militar e do SAMU prestando atendimento à mulher, que apresentava várias perfurações.

Outra testemunha também não presenciou a agressão, mas relatou ter encontrado a vítima caída e ensanguentada e acionado o SAMU. Segundo o depoimento, a vítima afirmou naquele momento que havia sido esfaqueada pelo ex-namorado.

Os trabalhos periciais realizados no imóvel encontraram sinais compatíveis com uma ação violenta. A janela da sala apresentava o dispositivo de travamento deslocado e deformado, enquanto o interior da residência estava desorganizado. Também foram encontradas manchas de sangue na garagem, na calçada e em diferentes pontos da via pública. A aproximadamente 30 metros da residência, no portão de outro imóvel, os peritos identificaram uma mancha de sangue por contato.

A faca apontada como utilizada na agressão foi apreendida e submetida a exame pericial. Imagens de câmeras de segurança instaladas nas proximidades também foram recolhidas e anexadas ao inquérito.

Em depoimento à Polícia Civil, ele apresentou uma versão diferente da relatada pela vítima. Ele afirmou que havia reatado o relacionamento dias antes do episódio e que foi até a residência após receber a informação de que outro homem estaria no local.

Segundo o investigado, houve uma discussão e a vítima teria pegado uma faca e avançado contra ele. Ele alegou que conseguiu desarmá-la e que, durante a ação, acabou atingindo a mulher com a própria faca, sem saber precisar quantos golpes foram desferidos. Ele negou ter subtraído dinheiro ou outros pertences e também negou ter feito ameaças de morte. Questionado pela defesa, ele admitiu que estava com a faca nas mãos e que poderia ter matado a vítima, mas afirmou que não tinha essa intenção.

Ao final do relatório, a autoridade policial indiciou o acusado por tentativa de feminicídio, com aumento de pena por ter sido cometido na presença dos filhos e ainda em descumprimento de medida protetiva. O crime de feminicídio consumado tem penas que podem variar de 20 a 40 anos de reclusão.

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