Homem agride companheira grávida e ameaça matar familiares; ela sentiu fortes dores na barriga e precisou ser encaminhada para o Regional

Ele foi preso em flagrante e mostrou escárnio pela situação da vítima


Um caso de violência doméstica chocou moradores do bairro Nossa Senhora de Fátima, em Patos de Minas, no final da tarde desta sexta-feira (13). Um homem de 34 anos foi preso em flagrante após agredir física e psicologicamente a companheira, que está grávida de cinco meses.

De acordo com informações da Polícia Militar, a equipe foi acionada via COPOM após denúncia de que a vítima estaria sendo agredida e enforcada pelo companheiro, que estaria armado com uma faca. Ao chegarem ao local, os militares encontraram o casal em atrito verbal no final de um corredor que dá acesso à residência do casal.

O homem, que apresentava sinais de embriaguez e uso de drogas, segundo a polícia, aproximou-se dos militares e apresentou sua versão dos fatos. Já a vítima, bastante nervosa e chorando muito, relatou aos policiais os abusos sofridos.

Aos prantos, ela contou que está em um relacionamento de união estável com o companheiro há aproximadamente 11 meses e que espera um filho dele. Segundo ela, o companheiro não aceita o término do relacionamento e é extremamente ciumento, agressivo e possessivo.

A jovem informou que há cerca de 10 dias vem sofrendo agressões físicas e psicológicas, além de diversas ameaças de morte. Na data de ontem, ao chegar do trabalho, ele teria insinuado que ela o traía, chamando-a de "gorda, feia, puta e vagabunda", com o objetivo de diminuir sua autoestima.

Quando pediu que ele parasse com as agressões verbais, ela foi empurrada diversas vezes — mesmo estando grávida — e em seguida enforcada com as mãos, ficando impossibilitada de respirar por alguns instantes. Ela só conseguiu se soltar após empurrá-lo com muita dificuldade.

A vítima contou ainda que conseguiu pedir ajuda à irmã por mensagens no celular, solicitando que a polícia fosse acionada. Durante a discussão, ele teria arremessado um abacaxi contra a parede próximo à vítima, atingindo parte da fruta no corpo dela.

Rayssa também revelou que foi diagnosticada com depressão e faz uso de medicações controladas em razão do relacionamento conturbado, tendo inclusive tentado suicídio por causa do companheiro. Ela afirmou que ele a ameaçou de morte novamente na data de ontem, dizendo que "se a PM deslocasse ao local, mataria ela e toda a família, mãe e irmão".

Durante o registro da ocorrência na delegacia, o homem, que já utilizava tornozeleira eletrônica, gritava aos berros que "violência doméstica não seguraria ele na prisão" e que "no máximo ficaria preso por pouquíssimo tempo e retornaria com seu modo assassino ativado, procurando a companheira".

Em determinado momento, a vítima, que aguardava na delegacia acompanhada da mãe, começou a sentir fortes dores abdominais devido ao estado gestacional, sendo necessário acionar o SAMU. Ela foi encaminhada ao Hospital Regional Antônio Dias Maciel para atendimento médico especializado.

Ao perceber que a companheira estava sendo levada ao hospital, o acusado, do interior da cela de custódia, passou a debochar da situação com risadas e gargalhadas, demonstrando escárnio diante do estado de fragilidade da vítima.

Em seu depoimento, ele alegou que iniciou a discussão por suspeitas de traição e que durante o atrito teria atirado um abacaxi na parede. Afirmou ainda que a companheira teria desferido socos e arranhões em suas costas, o que foi negado pela vítima. Ela explicou que apenas o empurrou para conseguir soltar-se do enforcamento e que os arranhões nas costas dele seriam de agressões anteriores, quando ela tentava fazê-lo cessar as agressões.

No formulário de avaliação de risco preenchido pela vítima, ela informou que o acusado já praticou contra ela agressões físicas como enforcamento, socos, chutes, tapas, empurrões e puxões de cabelo. Ela afirmou que o companheiro demonstra ciúme excessivo, tenta controlar sua vida, já proibiu visitas a familiares e amigos e fez telefonemas e mensagens de forma insistente.

A vítima relatou ainda que Wesley faz uso abusivo de álcool e drogas (crack e maconha), está com dificuldades financeiras e desemprego, e que as agressões se tornaram mais frequentes e graves nos últimos meses. Ela também informou que se separou recentemente do agressor e manifestou intenção de não retomar o relacionamento.

Ela manifestou interesse em representar criminalmente contra o acusado e requerer medidas protetivas de urgência. O autor foi preso em flagrante e encaminhado à Delegacia de Polícia Civil, permanecendo à disposição da Justiça. A ocorrência foi registrada como violência psicológica, ameaça e vias de fato, todas consumadas, com natureza secundária de atendimento de denúncia de infrações contra a mulher (violência doméstica).

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