Funcionária é indiciada por suspeita de desviar cerca de R$ 200 mil de construtora em Patos de Minas

O procedimento foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para as providências cabíveis.

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu um inquérito policial e indiciou uma ex-funcionária de uma construtora de Patos de Minas pelo crime de estelionato. De acordo com a investigação, a mulher é suspeita de utilizar a posição de confiança que ocupava na empresa para desviar aproximadamente R$ 200 mil por meio de pagamentos realizados por clientes diretamente em sua conta bancária pessoal.

Segundo o relatório policial, a investigada trabalhou na empresa desde abril de 2022, inicialmente no setor de pós-vendas. Com o passar do tempo, passou a exercer funções ligadas ao setor financeiro, obtendo acesso aos sistemas de emissão e baixa de boletos, além de outras rotinas relacionadas ao controle de recebíveis. A Polícia apurou que a ausência de mecanismos de dupla conferência permitiu que ela atuasse com ampla autonomia sobre as operações financeiras.

As investigações apontam que o esquema funcionava de duas maneiras. Quando clientes solicitavam a reemissão de boletos vencidos ou manifestavam interesse em antecipar parcelas com desconto, a investigada alegava indisponibilidade do sistema bancário e orientava que os pagamentos fossem feitos via PIX para uma chave de sua titularidade. Em seguida, emitia declarações de quitação em nome da empresa, algumas delas assinadas sem autorização ou com supostas falsificações das assinaturas dos sócios administradores. Ainda conforme a Polícia Civil, ela registrava informações falsas no sistema interno da empresa para dar aparência de regularidade às transações e ocultar os desvios.

A fraude veio à tona após um cliente informar a um corretor de imóveis que havia sido orientado pelo setor financeiro a efetuar um pagamento para uma conta particular. A situação foi comunicada aos administradores da empresa, que iniciaram uma auditoria interna e passaram a contatar diversos clientes atendidos pela investigada. As apurações revelaram um padrão semelhante em diversos atendimentos.

Conforme a auditoria, os desvios teriam ocorrido entre janeiro de 2024 e novembro de 2025, causando prejuízo estimado em R$ 200 mil. A investigação identificou comprovantes que demonstram transferências de R$ 109.595,36 diretamente para contas da investigada, além de outros R$ 86.825,26 referentes a baixas e cancelamentos de cobranças sem que os valores ingressassem nas contas da empresa, montante que ainda depende de complementação documental.

Os sócios da construtora relataram à Polícia que a funcionária era considerada de confiança e foi demitida por justa causa após a descoberta das irregularidades. Eles também afirmaram que a investigada apagava conversas em aplicativos de mensagens e utilizava justificativas como falhas no sistema para convencer clientes a efetuarem os pagamentos em sua conta pessoal.

Durante a investigação, diversas testemunhas confirmaram ter recebido orientações para realizar pagamentos via PIX para a conta da investigada, mediante promessa de descontos ou alegações de indisponibilidade do sistema. Em alguns casos, os clientes efetuaram as transferências e receberam declarações de quitação. Em outros, desconfiaram da solicitação e procuraram a empresa antes de concluir o pagamento.

Ao ser ouvida pela Polícia Civil, acompanhada de sua advogada, a investigada exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio e optou por prestar declarações apenas em juízo. Ao final do inquérito, o delegado concluiu pelo indiciamento da acusada pelo crime de estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal. O procedimento foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para as providências cabíveis.

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