Fé move família de Patos de Minas em caminhada de 145 km até Romaria: "Quem acredita não sente dor"
Entre eles está uma família que, unida pela fé, iniciou a peregrinação nesta quarta-feira (06), carregando promessas, agradecimentos e histórias de superação.
Todos os anos, durante o mês de agosto, milhares de moradores de Patos de Minas deixam o conforto de suas casas para enfrentar cerca de 145 quilômetros de caminhada até o Santuário de Nossa Senhora da Abadia, na cidade de Romaria. Entre eles está uma família que, unida pela fé, iniciou a peregrinação nesta quarta-feira (06), carregando promessas, agradecimentos e histórias de superação.
O Patos Hoje esteve na residência da família e acompanhou a saída. A família já tem o costume de ir até o Santuário, mas essa é a primeira vez que vai a pé. Isis foi direta ao explicar o motivo da caminhada: a fé. Ela contou que a devoção à Nossa Senhora da Abadia foi ensinada pelos pais desde a infância e hoje faz questão de transmitir esse sentimento ao marido e aos filhos. O amor pela padroeira é tão grande que ela decidiu eternizá-lo em uma tatuagem no braço. Ao comentar sobre a tatuagem, Isis afirmou que não sentiu dor devido a fé.
Outro integrante da família que segue rumo ao santuário é Cristiano, irmão de Isis. A peregrinação representa o cumprimento de uma promessa feita após uma cirurgia no ombro. Ele perdeu os movimentos do braço e recebeu um prognóstico desanimador, mas afirma que a recuperação aconteceu de forma surpreendente. Hoje, com o braço completamente recuperado, acredita que recebeu um milagre e diz que fará toda a caminhada pensando apenas em agradecer.
A garota Vitória, de 12 anos, sobrinha de Isis, também está firme na caminhada. Ansiosa, a adolescente disse que acredita que Nossa Senhora da Abadia irá guiá-la durante todo o percurso.
A tradição da família, no entanto, começou muito antes. Gilmar, o patriarca da família, conta que a devoção foi herdada dos pais, quando ainda moravam em Lagoa Formosa, e continuou mesmo depois da mudança para Patos de Minas, em 1985. Desde então, segundo ele, nunca deixaram de visitar o santuário.
Entre todas as lembranças das peregrinações, uma permanece viva na memória. No ano passado, mesmo com a mãe de Gilmar bastante debilitada, a família decidiu levá-la até Romaria. Ela viajou em uma cadeira de rodas e foi acolhida por voluntários do santuário, que a conduziram até os pés de Nossa Senhora da Abadia. Para Gilmar, o maior conforto é saber que não desistiram de realizar aquele último desejo. Hoje, ele acredita que a mãe está ao lado da padroeira, olhando pela família.
A emoção também tomou conta de Joana D'Arc, esposa de Gilmar, antes da partida. Com o coração acelerado, ela contou que a caminhada é o pagamento de uma promessa feita após uma cirurgia nos olhos. Segundo ela, a recuperação foi positiva e hoje consegue enxergar bem.
Joana também recordou outro momento difícil da vida: quando enfrentou a Covid-19 e chegou a ficar internada. Ela lembra que recebeu os cuidados da filha durante todo o período de recuperação e acredita que conseguiu superar a doença com a ajuda de Nossa Senhora da Abadia.
Ao falar da sogra, das pessoas da família que já partiram e dos anos dedicados aos cuidados dos familiares, as lágrimas apareceram. A saudade se misturou ao sentimento de gratidão, reforçando o motivo que leva tantas pessoas a enfrentarem quilômetros de estrada todos os anos.
Para essa família, a caminhada até Romaria vai muito além do esforço físico. É um caminho percorrido com esperança, agradecimento e a certeza de que a fé continua sendo a principal força para seguir em frente.