Estradas de Minas Gerais registram ao menos 1 assalto a ônibus por dia

Rodovias estaduais contabilizam maior alta nas ocorrências; crescimento foi de 75% em um ano

Com um modo de agir semelhante, todos os dias assaltantes atacam pelo menos um ônibus nas rodovias que cortam Minas Gerais. E as ocorrências são cada vez mais frequentes. Um exemplo são as rodovias estaduais, que tiveram um aumento de 75% no número de roubos neste ano. As empresas de transporte rodoviário afirmam estar de mãos atadas diante da insegurança, e as polícias rodoviárias prometem reforço no efetivo neste fim de ano, quando aumenta o movimento nas estradas.

De janeiro a novembro último, foram 58 casos nas MGs. No mesmo período do ano passado, 33 ocorrências foram registradas pela Polícia Militar Rodoviária (PMRv) – 75% a mais. Já nas BRs que passam pelo Estado, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) contabilizou 247 assaltos de janeiro a agosto deste ano – uma média de um por dia. Somados os casos divulgados das MGs e BRs, mesmo que de períodos diferentes, são 305 casos.

No último dia 4, dois ônibus da mesma empresa foram assaltados em um intervalo de 30 minutos, pelo mesmo grupo, na BR–262, na altura de Sacramento, na região do Alto Paranaíba. Enquanto roubavam as vítimas de um dos veículos, dois dos assaltantes permaneceram às margens da rodovia e, em seguida, o segundo ônibus foi abordado.

Ação. Os casos ocorrem geralmente à noite e de madrugada. Quando os veículos passam próximo de estradas vicinais e plantações, os bandidos fazem a abordagem. Por ter a maior malha rodoviária, Minas é campeã em casos no país. Segundo o inspetor Aristides Júnior, da PRF–MG, a região do Triângulo é alvo constante desses crimes.

“Tem muitas plantações de eucalipto nas estradas do Triângulo. Quando detectamos mais casos em uma determinada área, reforçamos o policiamento, chamamos policiais de outros Estados, e fazemos operações específicas. Mas as quadrilhas migram para outras regiões”, destacou o inspetor. Na semana passada, a polícia prendeu, em Uberaba, no Triângulo, 14 assaltantes.

Sem lei. As empresas de ônibus alegam que não há muito a ser feito para evitar os roubos, já que, por lei, elas não podem ter segurança armada dentro dos ônibus nem fazer revistas ou vistorias nos passageiros e bagagens.

O uso de detectores de metais e câmeras de vigilância nos veículos é visto com receio pelas empresas e motoristas porque podem incitar ações violentas por parte dos bandidos. Mortes são mais raras nesses casos, mas acontecem. Há um ano, um engenheiro foi assassinado durante um roubo a ônibus.

“Ficamos submetidos a essa situação. Os assaltos ocorrem o tempo todo. Só nos resta registrar o boletim de ocorrência e aguardar a atuação das polícias”, afirmou uma fonte do ramo de transporte que pediu para não ser identificada.

A polícia também indica não ter muita saída para prevenção. “Na maioria das vezes, a gente só descobre o assalto depois que os passageiros são liberados, porque eles tiram o veículo da rodovia”, explicou o inspetor.

Indenizações

Clientes. A lei não obriga as empresas de ônibus a pagar indenizações aos passageiros, e muitas se eximem de pagar, alegando que também são vítimas. O que algumas fazem é fornecer alimentação no resto do trajeto.

Fonte: O Tempo

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