Tribunal de Justiça de Minas Gerais destaca trabalho na APAC em Patos de Minas

Grupo esteve com recuperandos e conheceu o trabalho desenvolvido em oficinas

publicado em 19/11/2019,


A visita marcou o encerramento da primeira viagem oficial do presidente do TJMG.

Uma visita à Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) marcou o encerramento da primeira viagem oficial do presidente do TJMG, desembargador Nelson Missias de Morais, a Patos de Minas, na última semana.

Não incluída na agenda inicial, a visita foi de iniciativa do presidente, para reafirmar o apoio incondicional do Tribunal ao método apaquiano, diante das fortes pressões que a entidade local vem sofrendo de alguns setores.

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“As Apacs são um projeto estratégico do Tribunal de Justiça de Minas Gerais”, reafirmou o presidente, que renovou a disposição de continuar apoiando integralmente todas as organizações do gênero existentes em Minas.

Recebido pela direção da Apac e pelos 52 recuperandos que residem ali atualmente, o presidente recebeu manifestações unânimes pelo gesto de solidariedade. “Esta é a primeira vez que nossa Apac, criada em 1983, recebe a visita de um presidente de Tribunal”, disse o juiz Melchíades Fortes da Silva Filho.

O magistrado antecipou manifestações similares do promotor Paulo Henrique Delicole; do presidente da Apac, Hugo Leonardo Messias; do presidente do Conselho da entidade, Hugo Damasceno Lucas; e do prefeito de Patos, José Eustáquio Rodrigues Alves.

O presidente esteve acompanhado pelos desembargadores Gilson Soares Lemes, superintendente administrativo adjunto, e Amaury Pinto Ferreira.

A Apac de Patos de Minas possui uma horta que abastece toda a unidade

A visita foi fortemente marcada pelo corajoso depoimento do promotor Paulo Henrique Delicole, um paranaense adotado por um casal de mineiros poucos meses após o nascimento. Ele veio para Minas Gerais depois de passar em concurso para o Ministério Público. “Escolhi Minas para retribuir o carinho de meus pais adotivos, que me deram a oportunidade de viver”, disse.

Ele disse que tomou conhecimento da existência das Apacs em Canápolis e se encantou com o método. “O método da Apac nada mais é do que o cumprimento estrito da Lei de Execução Penal”, afirmou, ao lembrar que a lei prevê tanto a punição quanto a ressocialização do condenado. “E é isso que a Apac faz, enquanto o método tradicional só cuida da parte punitiva.”

Delicole reconheceu que “o primeiro olhar do promotor quando à possibilidade de recuperação de algum criminoso é sempre de desconfiança”, e que isso ocorre com a maioria dos profissionais, antes de se inteirarem do funcionamento das Apacs.

Ele revelou que tem sido vítima de parcela desses desconfiados, que chegaram, inclusive, a fazer representação contra ele junto ao MPMG, com falsas imputações.

A Apac de Patos de Minas possui 52 recuperandos que participam de inúmeras atividades de estudos e reflexão

A Apac de Patos de Minas possui 52 recuperandos.

Recomeço

Remanescente do sistema prisional tradicional, o atual presidente da Apac, Hugo Messias, disse acreditar na utopia de ver as Apacs autossustentáveis com a produção dos próprios recuperandos.

A unidade de Patos está próxima disso, segundo ele, pois atualmente está construindo uma padaria e uma marcenaria, para produção e treinamento dos recuperandos, e se preparando para ampliar sua capacidade para 184 pessoas já em 2020. Todas as obras estão sendo custeadas com recursos das prestações pecuniárias destinadas à entidade pelo TJMG.

A Apac de Patos abriga também uma extensão da Escola Estadual Antônio Dias Maciel, cuja diretora, Maria Aparecida Fernandes, coordena o processo educacional dos recuperandos.

Em seu depoimento, ela disse ter enfrentado resistências, “por puro preconceito”, quando optou por abrir na Apac uma extensão da escola, que é uma das mais tradicionais da cidade, com cerca de 1,3 mil alunos.

O prefeito José Eustáquio Rodrigues Alves também se manifestou, renovando sua disposição de manter e ampliar o termo de parceria que firmou com a Apac, para dar emprego aos recuperandos em obras da prefeitura. Desde o final de 2018 eles têm trabalhado na recuperação de ruas da cidade, em um programa “altamente bem-sucedido”, disse o prefeito.

A visita foi encerrada pelo presidente Nelson Missias de Morais que, emocionado, disse aos recuperandos que “todos têm um começo na vida, mas o recomeço é só para os grandes, para os fortes”. E concluiu: “Vocês são fortes”.

Fonte: Ascom TJMG

Postado em 19/11/2019
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11 comentários

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  • Observador | 2 semanas, 1 dia atrás

    Admiro o trabalho e a coragem desse promotor, a história de vida dele e a gratidão dele porém acho muito triste o trabalhador de bem, ralar e da boa vida para esses bandidos. Eles deveriam sim trabalhar pelo menos para se manter. No Brasil, compensa mais ser é bandido, tudo eles tem regalias. É um absurdo.

    2 2 Responder

  • Walter | 2 semanas, 1 dia atrás

    Muito me decepciona ver que a justiça em todas as esferas, no lugar de defender o trabalhador pai de família, defende o que há de pior na sociedade, o atraso, o regresso, esse tipo de associação é pra passar a mão na cabeça de estuprador, traficante, homicida, ladrão, sequestrador e tudo mais que tira a paz e o progresso do país, fora a despesa pra quem trabalha de verdade, isso é despesa em dobro pro cidadão, pois quando o vagabundo tá na rua dá prejuízo roubando ou matando, quando vai preso é despesa na cadeia ou nessas associações. O certo seria ter associação pra vítimas de estupro, pra familiares de vítimas de homicídio, tô falando de gente que é covardemente assassinada e não de acerto de contas entre bandidos, vítimas de sequestros e tudo mais que essa cambada faz aqui fora. O índice de reincidência mostra que o tal do bandido só muda o dia que morre, sempre lemos em todos jornais "o indivíduo preso já tem várias passagens pela polícia". Lamentável ver pessoas que estudam tanto quanto os magistrados em geral, usarem a inteligência pra injustiça, e infelizmente não vão parar, pois é lógico que nunca serão vítimas, o bandido é louco de atacar quem os defende com tanta dedicação? Quanto a questão da acusação de um promotor pro outro, eu não tenho opinião formada, mas tenho um pensamento, será que um colega faria questionamentos tão sérios sobre a conduta do outro atoa? Sabendo das consequências legais, sabendo que entre eles a briga vai longe? Não estou acusando, apenas pensando, ou será que só os bandidos tem direito a pensar e expressar?

    14 4 Responder

  • uai | 2 semanas, 1 dia atrás

    se fizessem escolas com educação de qualidade, não precisaria gastar dinheiro com centros de recuperação como esses, melhor prevenir bandidos do que remediar e tentar resocializar

    10 2 Responder

  • CIDADÃO | 2 semanas, 1 dia atrás

    O trabalho realizado pelo Dr. Paulo Henrique Delicole, nesta e em outras comarcas, é reconhecido por todos os que o conhecem. Profissional competente, humano e de conduta irrepreensível, merece todo o respeito e aplausos da sociedade patense. Qualquer representação contra o Dr. Paulo Delicole só pode ser fruto do desequilibrio e da inveja de mentes doentias!

    8 24 Responder

    pois é - 2 semanas, 1 dia atrás

    é mesmo, fazendo benfeitorias pra bandido e o cidadão de bem só se ferrando cada vez mais

    10 1

  • Só dá despesa para o contribuinte | 2 semanas, 1 dia atrás

    Ah credo disso. Inversão de valores. Passar a mão na cabeça de criminosos não é comigo.

    19 8 Responder

  • Na Real | 2 semanas, 2 dias atrás

    Como é maravilhoso, o Brasil para a "Bandidagem", o verdadeiro "Cidadão" é aquele que levanta cedo, que trabalha, que paga os seus impostos, e que contribui para uma sociedade melhor; faz até adoção, para dar um lar a quem precisa... não tem este privilégio todo perante ao "Estado"! Agora para dar vida boa para á "Bandidagem" fazem esforços homéricos, o nosso judiciário! Diz a "Constituição", que todos são iguais perante a lei! O "Cidadão honesto", paga o banco, o bandido senta, e o judiciário faz o "Cidadão Honesto" ajoelhar para pedir justiça, mas só recebe..."Banana"! Este é o país, que dizem que somos iguais, mas para uns pagarem, e os outros se refastelarem!

    29 5 Responder

  • Paturi 2 semanas, 2 dias atrás

    Comentário removido pelos leitores. Este comentário foi retirado porque recebeu 20 votos negativos a mais que os positivos.

    Embromação - 2 semanas, 2 dias atrás

    Politiqueiro demais!

    20 2

    Na Real - 2 semanas, 1 dia atrás

    Tem gente que gosta dos olhos...outros gostam da remela!!! Este promotor se fosse justo trabalharia para uma sociedade melhor ajudando o verdadeiro cidadão, e cobrando da "Bandidagem", aquilo que eles não tem direito, que é a "Liberdade"! Para se ter "Liberdade", tem um preço a pagar, agora quem abriu mão dela, também tem um custo a ser pago, mas o nosso judiciário, fica dando facilidades, para que os bandidos não paguem pelos seus crimes! Sabe aquele pai irresponsável, assim é o nosso judiciário! Vida boa para á malandragem, será que o senhor promotor se lembra todo dia que quando se poem uma pessoa no coração, que ela não é sangue do seu sangue, que ela merece muitos mais consideração!!!

    24 5

  • Visita as familias | 2 semanas, 2 dias atrás

    Deviam fazer visitas as famílias que alguns desses detentos destruíram!!!

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