Países de três continentes relataram seus primeiros casos de coronavírus nesta sexta-feira, enquanto o mundo se prepara para enfrentar uma pandemia e investidores fugiam dos mercados de ações antevendo uma recessão global.

O pânico relativo ao coronavírus voltou a derrubar os mercados de ações, agravando sua pior semana desde a crise financeira mundial de 2008 e elevando o estrago a 5 trilhões de dólares.

A esperança de que a epidemia surgida na China no final do ano passado terminaria em meses, e de que a atividade econômica voltaria ao normal rapidamente, foi destroçada à medida que o número de casos internacionais disparou.

“Os investidores estão tentando computar o pior cenário possível, e o maior risco é o que acontece agora nos Estados Unidos e outros grandes países fora da Ásia”, disse John Lau, gerente de ações asiáticas da SEI Investments.

“Esta é uma época altamente incerta, ninguém sabe realmente a resposta e os mercados estão realmente entrando em pânico”.

A China continental relatou 327 casos novos, a cifra mais baixa desde 23 de janeiro, o que elevou o número para mais de 78.800 casos e quase 2.800 mortes.

Mas se o surto recua na China, ganha ritmo em outras partes.

Mais quatro países comunicaram seus primeiros casos, o que eleva a quantidade de nações e territórios fora da China com infecções a 55, com mais de 4.200 casos resultando em cerca de 70 mortes.

Agora os países que não a China representam cerca de três quartos das novas infecções.

Um italiano que chegou à Nigéria foi confirmado como o primeiro caso de coronavírus no país mais populoso da África, e uma pessoa que voltou em um voo do Irã se tornou o primeiro da Nova Zelândia.

No leste da Europa, Belarus e Lituânia relataram seus primeiros casos.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que todas as nações devem se preparar.

“Este vírus tem potencial pandêmico”, disse Tedros em Genebra na quinta-feira. “Não é hora de ter medo. É hora de agir para evitar infecções e salvar vidas já”.

A agência de avaliação de risco Moody’s disse que uma pandemia —geralmente vista como a proliferação rápida de uma doença em vários lugares— desencadearia recessões nos EUA e no mundo no primeiro semestre.

Fonte: Reuters