ANÁLISE-Postura de Bolsonaro nos primeiros 100 dias não funciona e governo se beneficiaria de pragmatismo

O governo tem a mais baixa aprovação perto dos 100 primeiros dias de um primeiro mandato.

publicado em 11/04/2019,


A insistência do presidente Jair Bolsonaro em manter nos seus 100 primeiros dias de governo a retórica adotada antes e durante a campanha eleitoral não tem funcionado e seu governo se beneficiaria da adoção de uma abordagem mais pragmática, disseram analistas ouvidos pela Reuters.

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Ao contrário de outros presidentes em primeiro mandato, Bolsonaro não contou com uma “lua de mel” nos primeiros 100 dias de governo e isso se deveu em grande parte a turbulências geradas dentro do próprio governo.

Além disso, o discurso de ruptura com o que o presidente gosta de chamar de “velha política” gerou atritos com o Congresso Nacional, o que não é recomendável para um governo que afirma ter entre suas principais prioridades medidas que dependem do aval de três quintos de deputados e senadores, como a reforma da Previdência.

“O governo assumiu com uma atitude quase que beligerante, de ‘eu vou fazer tudo diferente’, mas não fez. Não mostrou o que era o diferente, não conseguiu trazer, não conseguiu dialogar e basicamente virou uma fábrica de pequenas crises semanais, se não quase que diárias”, disse à Reuters Danilo Gennari, sócio da Distrito Relações Governamentais.

Entre as crises vividas pelo governo em apenas 100 dias dos quatro anos de mandato estão a substituição de dois ministros —Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral) e Ricardo Vélez (Educação)— e polêmicas envolvendo declarações de ministros, principalmente os que são apontados como da ala ideológica do governo.

Soma-se a isso a pouca experiência governamental do presidente e o grande número de novatos entre os parlamentares de seu partido, o PSL, um nanico até a eleição de 2018 e que, na esteira de Bolsonaro, elegeu a segunda maior bancada de deputados no ano passado.

“Essa falta de experiência, de nunca ter sido governo, fez com que se chamasse tudo de velha política e colocasse tudo num envelope chamado de imoral. Isso estabeleceu uma relação de desconfiança entre o Congresso e o governo e entre o governo e o Congresso”, disse à Reuters o cientista político e professor do Insper Carlos Melo.

“Isso gerou um estranhamento muito grande, e aquilo que poderia ter avançado em termos de agenda, avançou pouco. Nós estamos em meados de abril e o parecer da reforma da Previdência está na Comissão de Constituição e Justiça. O governo ainda não tem uma base que possa quantificar.”

A postura pessoal de Bolsonaro e a escolha por figuras de perfil ideológico para postos-chave da administração —como os ministérios das Relações Exteriores, Educação e Meio Ambiente— também são lembrados.

“Há um ideologismo de sinal trocado”, avaliou Melo. “O essencial tem sido substituído pelo acessório.”

Analistas afirmam que é difícil prever se Bolsonaro mudará de curso. Ao mesmo tempo que o presidente passou a se reunir pessoalmente desde a semana passada com lideranças e presidentes de partidos em busca de melhorar a articulação política, a escolha de Bolsonaro para substituir Vélez no Ministério da Educação —o até então número dois da Casa Civil, Abraham Weintraub— indica que o presidente dobrou a aposta em sua estratégia atual.

“Essa mudança no Ministério da Educação agora poderia ser uma sinalização de mudança, mas na prática não foi. Foi uma reafirmação de que ele é daquele jeito, vai continuar sendo assim e a política dele é aquela”, disse Gennari.

Weintraub já afirmou ser necessário combater o “marxismo cultural” nas universidades e disse em uma palestra que comunistas estão no topo de organizações financeiras, são donos de jornais, de grandes empresas e de monopólios.

ERRO DE AVALIAÇÃO

A insistência de Bolsonaro se baseia em um erro de avaliação, segundo os analistas: a de que o presidente foi eleito somente pelo grupo que o apoia nas redes sociais.

E esse equívoco, disseram, já começa a aparecer em pesquisas de opinião que apontam Bolsonaro como o presidente cujo governo tem a mais baixa aprovação perto dos 100 primeiros dias de um primeiro mandato.

“Não foi só esse grupo que o elegeu”, disse Gennari. “A popularidade dele está caindo exatamente porque o grupo do meio —que o apoiou não porque era fã do Bolsonaro das redes sociais, explosivo, falastrão, etc, mas porque via nele uma possibilidade, principalmente com o Paulo Guedes, de levar adiante reformas e fazer a economia crescer— está vendo que o presidente tem dificuldades de abandonar o discurso eleitoral.”

Na avaliação dos analistas, a estratégia atual pode deixar Bolsonaro refém do Congresso Nacional, dificultando a aprovação de reformas importantes, como a da Previdência, apontada como crucial para equilibrar as contas públicas e retomar o crescimento da economia.

“O governo precisa acelerar a sua curva de aprendizado e precisa corrigir posturas”, disse Melo, do Insper.

“Ou ele começa a negociar com pragmatismo, ou ele vai ficar muito só nesse processo todo, não vai conseguir aprovar projetos importantes, a economia piora, e a economia piorando, piora a política, que piora a economia mais um pouco e você cria um ciclo vicioso, que nós já vivemos no passado.”

Fonte: Agência Reuters

Postado em 11/04/2019
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4 comentários

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  • Alair Fonseca | 4 meses, 1 semana atrás

    O que foi dito aqui não precisaria se dizer, quem não percebeu que o Bolsonaro não conseguira tal intento? Desculpe um pouco de exagero, mas sou obrigado a dizer o que o meu cão me dita: O Bolsonaro em 28 anos de Câmara ele não aprendeu a administrar nem um saco de mangas, e aventura a governar um país gigantesco. O que fez até agora foi atender o Capital Internacional e cumpriu o que prometeu, entregou as nossas riquezas para pagar dívidas de campanha. O que aconteceu, foi que como brasileiros fomos todos numa barca e parte dos conterrâneos, por ignorância ou pirraça, pegaram picaretas e resolvem a furar o casco da barca bem no meio do Lago dos Pesadelos , e agora ? Só nos resta a barca levar mais de 4 anos antes que todos provem do humo do fundo do Lago.

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    Forasteiro - 4 meses, 1 semana atrás

    Não dá conta de administrar nem os filhos dele ...Mais Fraco dos últimos tempos ...

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  • Eu falei... | 4 meses, 1 semana atrás

    Eu falei , agora todos nós pagamos o pato.

    6 5 Responder

    Caminhoneiro - 4 meses, 1 semana atrás

    Tmb disse,povo burro dimais,fica achando que um pilantra desse vai resolver alguma coisa,so aguardando a caminhoneirada parar,o Dieesel subilu 5 por cento hj dinovo,enteresses proprios sao solucionados,o problema e do povo,sempre foi e sempre vai ser,ta pra nascer um ser capaz pra fazer algo penssando no povo,os que estao aqui agora nos "representando"estao usando o poder em beneficio proprio

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